Três dezenas de posters, da autoria de artistas de várias áreas, estão espalhados pelas ruas de Marvila, em Lisboa, no âmbito da mostra de arte pública Poster, que a organização quer levar a outras cidades.

O retrato de uma das pessoas afetadas pelo incêndio do ano passado em Pedrógão Grande, palavras soltas, ilustrações e um protesto contra a exploração de petróleo no Algarve são alguns dos temas dos 30 posters que compõem a 3.ª edição da Poster. A inauguração está marcada para sábado, “embora como galeria ao ar livre esteja inaugurada desde ontem [quinta-feira]”, quando a organização colocou os posters nas ruas de Marvila, zona que acolhe pela terceira vez a iniciativa.

A Poster surgiu de uma vontade de “mostrar coisas às pessoas”, usando um “formato que existe desde o século XIX”, para “comunicar com a cidade e o local”, referiu Bruno Pereira, diretor da Departamento, que organiza a mostra, hoje em declarações à Lusa, durante uma visita guiada para a imprensa.

“O poster é, se calhar, a peça gráfica mais livre que existe no mundo. Podes fazer em tua casa, colar numa parede e estás a comunicar. Uma comunicação mais direta e mais abrangente do que qualquer rede social. Milhares de pessoas passam por estas ruas ao longo de um mês”, referiu.

Marvila foi escolhida por ser uma “zona da cidade um pouco abandonada”, mas que “agora aos poucos, felizmente, está a ser habitada”. “Esse vazio dá-nos a possibilidade de termos posters em paredes sem mais nada à volta. Isso é uma tela gigante para observares, deixa tempo à contemplação”, disse, acrescentando outro aspeto que considera importante: “As pessoas [que vivem em Marvila] também já tomaram a Poster como algo deles”.

Sair de Marvila será difícil, já que Bruno é “apaixonado” por esta zona da cidade, mas há planos para levar a Poster a outras paragens. “Gostaríamos mesmo de ir para outras cidades do país. É esse trabalho que vamos tentar fazer nas próximas edições, não ficar só em Lisboa”, contou, referindo que teriam de ser locais “que tivessem a mesma personalidade” de Marvila. Locais “menos óbvios”, onde as pessoas vão para ver a mostra, mas “descobrem novas coisas e outras coisas”.

A lista de convidados desta edição inclui personalidades ligadas à área, como o designer Filippo Fiumani, o ilustrador e designer gráfico Lord Mantraste, a fotógrafa Vera Marmelo, o ateliê Silva Designers, o ilustrador e realizador André Ruivo, o artista visual Gonçalo MAR ou o fotojornalista Adriano Miranda, mas também outros “menos óbvios”, como a poeta Paula Cortes, a banda Dead Combo ou a cantora e compositora Surma.

“Vamos sempre buscar músicos. Desafiamos pessoas que não são dentro da área. Interessa-nos também desafiar outras pessoas a fazer posters”, afirmou Bruno Pereira. Por o poster ser um “formato que qualquer um pode fazer, meter na parede e comunicar com o mundo”, a organização abriu uma open call (concurso) do qual foram escolhidos dez posters, que se juntam aos 20 criados pelos convidados desta edição.

No sábado, às 15 horas, haverá uma “viagem a pé pelas paredes [aberta ao público e gratuita] na companhia dos artistas”. Pelas 16 horas serão inauguradas, no espaço cultural TODOS, as exposições “Mini Poster”, com trabalhos da autoria de crianças da Obra do Ardina e da Associação Sol, resultado de um workshop de risografia com Luís Alegre e Lord Mantraste, e “Open Call”, onde estarão expostos os cerca de 90 trabalhos da open call deste ano, que não chegaram às paredes de Marvila.

Nesse dia, entre as 15 horas e as 20 horas, irá estar aberta, no n.º 24 da rua Pereira Henriques, a loja Poster, onde estarão à venda posters das três edições da mostra de arte pública, tal como “peças de marcas parceiras” da iniciativa.

A festa de inauguração da Poster decorre entre as 19 horas e as 21 horas, na Fábrica Moderna, com “seleção sonora por Isaac Ace”. A mostra, um projeto da Departamento, “amplificador de cultura, que faz curadoria e desenvolve projetos para marcas, patrocinadores, mecenas, entidades públicas e privadas”, ficará patente nas ruas de Marvila até 29 de outubro.