Rádio Observador

Violação

Jovem terá sido abusada no mesmo bar onde mulher de 26 foi violada em 2016

Uma jovem de 18 anos terá sido agredida sexualmente no mesmo bar, em Gaia, onde uma mulher de 26 anos foi atacada em 2016. A rapariga nunca apresentou queixa e o alegado agressor não foi ouvido.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Uma jovem de 18 anos terá sido abusada, em dezembro de 2016, no mesmo bar em Vila Nova de Gaia onde, um mês antes, uma mulher de 26 anos foi também abusada quando se encontrava inconsciente na casa de banho. O caso relatado este sábado pelo jornal Público consta de um relatório da Polícia Judiciária e faz parte do primeiro processo, o qual diz respeito à polémica decisão do Tribunal da Relação do Porto que atribuiu pena de prisão suspensa aos dois arguidos — a decisão foi prontamente defendida pela Associação Sindical de Juízes Portugueses (ASJP), que argumentou que “não houve violação”.

Recentemente foi notícia que o Tribunal da Relação do Porto considerou, em junho do ano passado, como “ilicitude mediana” e “sedução mútua” o caso da violação da jovem de 26 anos. Pouco depois, a ASJP veio sublinhar que “não é verdade que o tribunal tivesse considerado que o crime de abuso sexual de pessoa incapaz de resistência ocorreu num ambiente de sedução mútua”, acrescentando que tal classificação dizia respeito “ao contexto que antecedeu a prática dos crimes e que foi tida como relevante para a determinação da pena”.

Agora é notícia que escutas telefónicas feitas ao barman do estabelecimento permitiram aos investigadores da Polícia Judiciária ficar a par deste novo caso. A vítima de 18 anos chegou a ser ouvida pela PJ e contou que, após a ingestão de um shot, servido pelo porteiro que também era relações públicas do bar — que, entretanto, mudou de gerência — ficou completamente desmemoriada. O porteiro em causa é um dos agressores condenados a pena de prisão suspensa no caso da alegada violação de uma mulher de 26 anos.

Apesar de a jovem de 18 anos não se recordar de nada, à data do incidente terá contado ao barman, que conhecida, que a tinham forçado a ir para a casa de banho, onde tentaram abusar sexualmente dela. A um jovem amigo, polícia municipal, terá dito nessa noite: “Um gajo abusou de mim”. A revelação consta no depoimento feito à polícia, e resulta apenas do que o barman e o amigo conseguiram contar à alegada vítima. No dia seguinte ao alegado abuso, a jovem acordou com um olho negro e o interior das coxas avermelhadas.

Mesmo sem memória dos factos, conseguiu identificar o alegado abusador — um rapaz com associação à gerência do bar –, que terá dito ao seu amigo, o polícia municipal, “Foram só uns beijos. Não houve penetração, não se passou nada”.

O Público ressalva que o relatório da PJ apresenta e destaca semelhanças entre os dois casos: ambas as vítimas desmaiaram após o shot, tinham pouca ou nenhuma memória do que se passou e foram contactadas por pessoas ligadas ao bar. Os investigadores chegam a admitir que as duas mulheres pudessem ter sido drogadas.

Segundo o relatório, não foi possível concluir que a jovem de 18 anos, que nunca chegou a apresentar queixa, tenha sido vítima de abuso sexual. O alegado abusador também nunca foi ouvido.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: acmarques@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)