Para já, o futuro passa pelos veículos eléctricos alimentados por bateria, mas esta é cara e pesada e tem de ser recarregada ligando-a à rede eléctrica, o que pode ser um problema quando o número deste tipo de veículos em circulação ultrapassar largos milhares, ou até mesmo milhões, por cidade. Consciente das dificuldades colocadas pelas baterias, a indústria sempre procurou alternativas e as fuel cells a hidrogénio, também conhecidas por células ou pilhas de combustível, surgem como a melhor solução. Porém, são caras, pelo menos as que já estão disponíveis no mercado.

O objectivo das fuel cells a hidrogénio é produzir a electricidade a bordo, para o que apenas é necessário encher um depósito com hidrogénio (sob pressão mas à temperatura ambiente), operação que é tão rápida quanto atestar de gasolina. Depois é esperar que o hidrogénio se associe ao oxigénio retirado do ar que respiramos e, no processo, produzir electricidade e água quente e pura.

Mas nem tudo são rosas nesta tecnologia, pois as fuel cells são dispendiosas de fabricar, porque para funcionarem necessitam de um catalisador, que por vez precisa de platina, material que está longe de ser barato. O precioso metal é tradicionalmente misturado, em pequenas partículas, com pó de carbono, o que leva a um grande desperdício de platina, pois nem todas as partículas ficam à superfície e logo funcionais.

É aqui que entra a descoberta dos cientistas da Universidade de Stanford, em colaboração com a Volkswagen. Juntos desenvolveram um novo sistema, denominado Atomic Layer Deposition (ALD), em que os átomos de platina são colocados especificamente na superfície do carbono, reduzindo a necessidade de platina a uma pequena fracção e, por outro lado, triplicando a eficiência energética da célula e incrementando a sua longevidade.

Esta tecnologia abre grandes possibilidade para a redução de custos, devido à menor quantidade de platina utilizada, mas porque nos permite igualmente conceber fuel cells mais eficazes e duradouras, sendo que esta nova solução técnica também pode ser utilizada para melhorar a próxima geração de baterias de lítio”, realça o professor Prinz, de Stanford.

Por outro lado, o responsável pelo Departamento de Investigação do Grupo Volkswagen, Thomas Schladt, sublinha que “esta inovação tem várias aplicações para a indústria automóvel”.

O segundo desafio dos investigadores é reproduzir os ganhos que já demonstraram em laboratório numa escala industrial, o que por vezes é um objectivo mais difícil de atingir do que pode parecer à primeira vista. Contudo, face ao potencial tecnológico da universidade em causa e da Volkswagen, bem como os avultados meios que os alemães certamente irão colocar à disposição deste projecto, é bem possível que em breve haja novidades, para que as fuel cells se tornem numa ainda melhor alternativa às baterias, como forma de impulsionar os veículos eléctricos.