As autoridades indonésias elevaram, esta terça-feira, para 1.234 o número de mortos dos terremotos e tsunamis que atingiram a ilha de Celebes na última sexta-feira. As autoridades, no entanto, acreditam que podem ainda existir “centenas de vítimas” soterradas. Há ainda 799 pessoas gravemente feridas e zonas que não foram ainda alcançadas — caso de Sigi e Balaroa — que podem contribuir para um número muito maior de vítimas após um terremoto de 6,1 graus, a que se seguiu, três horas depois, outro de 7,5 graus e um tsunami.

O porta-voz da Agência Nacional de Gestão de Desastres (BNPB), Sutopo Purwo Nugroho, já tinha alertado em conferência de imprensa em Jacarta que o número de mortos deveria aumentar porque há “centenas de vítimas” soterradas na lama em Petobo, uma área de Palu. Sutopo afirmou que a ajuda logística, escoltada por soldados, começou a ser distribuída entre as vítimas e que a restauração do serviço elétrico continua a ser uma prioridade. A chegada de equipamentos pesados a Palu, a capital da província de Celebes Central e a cidade mais afetada, ajudará a acelerar os esforços de resgate entre os prédios desmoronados.

Entre as vítimas já encontradas, há o caso de 34 estudantes de teologia que morreram dentro de uma igreja na ilha de Celebes, que sucumbiu com o impacto dos sismos. De acordo com a porta-voz da Cruz Vermelha local, Aulia Arriani, há ainda 52 estudantes de teologia que continuam desaparecidos. No total, 86 estudantes participavam num retiro religioso no distrito de Sigi Biromaru, no norte da ilha. Sutopo aumentou para 144 o número de estrangeiros – em comparação com 71 divulgados no domingo – que estavam naquela região quando se deu a catástrofe.

Na praia de Talise, em Palu, onde o tsunami causou inúmeras mortes e muita destruição, trabalhadores humanitários de várias organizações não-governamentais removeram mais corpos das ruínas de um prédio. Centenas de pessoas reuniram-se esta manhã na entrada do posto de comando militar em Itudulaka, no centro de Palu, em busca de comida.

“A água, o arroz, eles precisam”, disse o proprietário do restaurante Rachmat Lapoa à agência Efe, explicando que há falta de pessoal para distribuir a comida entre os afetados. A escassez de gasolina ameaça os geradores que iluminam a cidade e são a única fonte de eletricidade devido à continuação de quebras de energia e de comunicações.

Pedidos de ajuda aumentam

A maioria das vítimas registou-se em Palu, cidade com cerca de 350 mil habitantes na costa oeste de Celebes, indicou Sutopo Purwo Nugroho, porta-voz da agência de catástrofes, que pediu “pessoal, voluntários e equipamento específico” para ajudar nas operações de socorro e limpeza. Os hospitais de Palu que mais mortes reportaram à agência situam-se em Bhayangkara (161) e em Undata Mamboro Palu (141). A catástrofe deixou mais de mil edifícios destruídos ou danificados e a missão mais importante agora é restabelecer a luz e as comunicações.

Técnicos de telecomunicações e transporte aéreo que chegaram este fim-de-semana ao aeroporto de Palu já estão a trabalhar na reparação de algumas instalações elétricas danificadas. O aeroporto de Palu, que opera voos nacionais, continua encerrado desde sexta-feira, após danos causados pelo sismo, que também afetou pontes, hospitais e portos. Estão a funcionar os aeroportos de Poso, Toli-Toli, Luwuk Bangai e Mamuju, todos na mesma região.

As autoridades confirmaram a formação do tsunami depois de vários vídeos locais mostrarem nas redes sociais como Palu, situada numa estreita baía, era atingida com força pelas ondas. A agência de geofísica emitiu um alerta de tsunami após o terramoto de magnitude 7,5 para advertir para ondas entre meio metro e um máximo de três metros na zona de Palu. Segundo os vídeos gravados por particulares, a tromba de água que entrou na praia Talise de Paulu arrastou estruturas e veículos da costa e chegou a uma mesquita já afetada pelo terramoto, por entre os gritos dos residentes.

As autoridades indonésias começaram esta segunda-feira a enterrar numa vala comum centenas de mortos na cidade de Palu, na ilha de Celebes. O porta-voz da BNPB explicou que a vala comum foi aberta para prevenir a disseminação de epidemias. O Governo indonésio, liderado por Joko Widodo, pediu ajuda internacional, esta segunda-feira.

A Indonésia assenta sobre o chamado Anel de Fogo do Pacífico, uma zona de grande atividade sísmica e vulcânica onde, em cada ano, se registam cerca de 7.000 terramotos, a maioria moderados. Entre 29 de junho e 19 de agosto, pelo menos 557 pessoas morreram e quase 400 mil ficaram deslocadas devido a quatro terramotos de magnitudes compreendidas entre 6,3 e 6,9, que sacudiram a ilha indonésia de Lombok.

(atualizado às 8h50 de 2 de outubro com o último balanço de vítimas)