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SEAT

Novo Tarraco não ameaça a Autoeuropa. Saiba porquê

O presidente da Seat, Luca de Meo, revela em entrevista quais são as expectativas da marca em relação ao novo Tarraco, SUV que poderia pôr em causa a continuidade da Alhambra, produzida em Portugal.

Xavier Bonilla

Nos últimos anos, a Seat tem vindo a expandir a sua gama, nomeadamente com o lançamento de três novos SUV – primeiro o Ateca, depois o Arona e, agora, o Tarraco. Quais são as vossas expectativas para este novo modelo?
Estamos fortemente convictos que o Seat Tarraco tem um grande potencial. Estamos muito orgulhosos e entusiasmados com este nosso novo porta-estandarte, que nos trará novos clientes, impulsionará a imagem da marca e terá um efeito significativo na nossa capacidade de gerar margens, já que este é um modelo com uma alta contribuição financeira. Será produzido em Wolfsburg, no coração do Grupo Volkswagen, e isso demonstra a confiança depositada na Seat e as sinergias criadas na empresa.
O novo Tarraco completa a ofensiva SUV da SEAT, a maior já feita pela empresa. Mas não vamos parar por aqui. Temos muitos projectos que também serão um grande passo para a empresa em termos de motores alternativos, como automóveis eléctricos e híbridos, assim como com a Cupra.

Tarraco é o primeiro nome de um carro escolhido pelos clientes. Como foi a experiência da campanha “Seeking name”?
Essa iniciativa foi incrível. E temos muito orgulho por termos sido a primeira marca de automóveis que ofereceu a opção de eleger o nome de um novo modelo, num projeto que atraiu uma atenção que estávamos longe de imaginar que seria possível.
A participação foi massiva desde o início. O facto de oferecermos aos clientes a oportunidade de fazerem parte da Seat, escolhendo a denominação de um novo modelo, teve uma grande adesão. Recebemos mais de 145 mil votos para escolher o nome na fase final da campanha e houve milhares de pessoas que entraram em contacto connosco, perguntando qual era o nome vencedor. E também fomos um trending topic nas redes sociais em várias ocasiões.

Os votos foram mesmo respeitados?
Claro! Temos todas as certificações que confirmam os resultados.
Tarraco foi o nome que reuniu a maior parte das preferências (52% dos votos) e, agora, é o nome do nosso novo SUV que criámos todos juntos. Dito e feito!

A Seat vende sobretudo na Europa, mas você já disse várias vezes que um de seus objectivos é depender menos do mercado europeu. O Tarraco vai contribuir para esse esforço de globalização?
Sem dúvida. A Seat é o principal exportador industrial da Espanha e estamos sempre à procura de novas possibilidades em diferentes mercados. Estamos a trabalhar na globalização da marca, não só na Europa mas para além das fronteiras europeias, nos cinco continentes.
O norte da África e a nossa entrada na China são os melhores exemplos dessa abordagem global. Também estamos a olhar para a América Latina e a analisar cada país, seja para reforçar a nossa presença nos mercados onde já estamos, seja para alcançar novos mercados. O Seat Tarraco fará, necessariamente, parte deste projecto.

Tendo em conta as recentes notícias sobre a Seat na China, podemos concluir que a marca vai produzir fora da Europa todos os seus modelos eléctricos? Vão exportar para a Europa veículos eléctricos fabricados na China?
Em Julho passado, a Seat assinou um acordo para se juntar à joint-venture entre o Grupo Volkswagen China e a JAC. Seremos a marca líder do grupo na joint-venture, mas isso não significa que vamos fabricar todos os nossos automóveis eléctricos fora da Europa. Significa, sim, a entrada da Seat na China e o início de uma nova era que nos permitirá globalizar a marca e impulsionar o desenvolvimento do veículo eléctrico. E também inovar e compartilhar know-how, pois participaremos activamente na criação de um centro de Investigação e Desenvolvimento na China, capacitado para desenvolver não só veículos eléctricos, mas também a conectividade e tecnologias de condução autónoma especificamente adaptadas ao mercado chinês. Este é um grande marco para a empresa.

Voltando ao Tarraco, que motorizações alternativas estão planeadas para este SUV?
Vamos oferecer uma versão híbrida plug-in do Tarraco, mas falaremos disso no devido tempo. O primeiro passo da nossa ofensiva eléctrica chegará com a versão híbrida plug-in do novo Seat Leon e o nosso primeiro modelo 100% eléctrico será lançado em 2020. No curto prazo, esse é o nosso foco eléctrico.

E vamos ver um Cupra Tarraco, tal como aconteceu com o Ateca?
Agora estamos focados no lançamento do Cupra Ateca, que será o primeiro veículo da nova marca a ser introduzido no mercado. Não estamos apenas entusiasmados com a Cupra, temos grandes expectativas em relação a esta marca e, se avançarmos com um Cupra Tarraco, comunicaremos isso em tempo útil.

A ligação entre as luzes traseiras é um elemento distintivo do Tarraco comparativamente a recentes lançamentos como o Ateca ou o Arona. O Tarraco abre caminho para uma mudança no design de todos os modelos da Seat?
O Tarraco abre pistas sobre a nova linguagem de design da Seat, mostrando antecipadamente o caminho que a marca está a encetar ao entrar num novo segmento. Quando o vemos pela primeira vez, a impressão inicial é muito impactante graças ao sentido de proporção e de elegância, mas também ao look desportivo.
Nesse sentido, a tecnologia de iluminação é um aspecto muito importante do novo Tarraco, não só porque este modelo recorre exclusivamente à tecnologia LED, mas também porque a ligação das luzes traseiras surge como uma nova solução estética. Por outro lado, o desenho mais proeminente da grelha frontal confere ao Tarraco uma presença mais dominante, um carácter mais vincado. E tudo isto saiu do nosso Centro de Design em Barcelona (Martorell).

O Tarraco compartilha a plataforma com algumas marcas do mesmo grupo. Quais são os elementos-chave que permitem diferenciar o seu SUV?
Como é habitual no Grupo Volkswagen, aproveitamos sinergias importantes com outras marcas. No entanto, o Seat Tarraco incorporará características relevantes e elementos exteriores projectados e desenvolvidos em Martorell. O novo SUV combina os principais atributos de cada produto Seat: design e funcionalidade, carácter desportivo e conforto, acessibilidade e qualidade, tecnologia e emoção, mas de uma forma que consegue ir ao encontro de uma ampla variedade de estilos de vida.
Neste caso, o Tarraco é o primeiro modelo a mostrar a nova direcção do design da Seat para os próximos anos e está totalmente equipado com a mais recente tecnologia e sistemas de assistência à condução. Por último, mas não menos importante, quando se trata de conectividade, integra o Shazam e a Amazon Alexa, entre outros.

Apesar da crescente procura por SUV, as vendas do Seat Alhambra não se têm ressentido. Pelo contrário, o MPV fabricado na Autoeuropa vendeu como nunca em 2017

Com o Tarraco no topo da gama da Seat, oferecendo sete lugares e versatilidade, que futuro reserva para o Seat Alhambra, produzido em Portugal? Terá uma nova geração ou não?
Tarraco e a Alhambra têm diferentes clientes-alvo. O Seat Tarraco será o nosso porta-estandarte, trará novos clientes e impulsionará a imagem da marca. Por outro lado, o Seat Alhambra é um modelo que tem tido muito sucesso desde o início e regista um elevado volume de vendas, bem como um expressivo contributo financeiro. As vendas do Alhambra ainda estão a crescer e isso deixa-nos muito felizes com o desempenho comercial deste modelo. Em 2017, vendemos mais de 31.200 Alhambra – foi um recorde de vendas na história do modelo (desde que foi lançado em 1996). Portanto, não há razão no momento para parar de produzi-lo. Ao mesmo tempo, somos realistas e sabemos que o seu futuro estará ligado ao do Volkswagen Sharan, com o qual compartilha a plataforma.

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