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Estados Unidos da América

Brett Kavanaugh já teve problemas com a polícia após luta num bar em 1985

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O caso, sobre o qual há um relatório policial, dá força aos relatos que descrevem o juiz como embriagado e violento na juventude. FBI tem até sexta-feira para investigar alegado abuso sexual.

O caráter de Brett Kavanaugh, juiz nomeado por Donald Trump para o Supremo Tribunal, tem estado em discussão no Senado

Getty Images

Tudo terá acontecido numa noite de setembro, em 1985, após um concerto dos UB40. Brett Kavanaugh, à altura aluno em Yale, estava no bar Demery’s com alguns amigos, a beber umas cervejas. Segundo Chad Ludington, colega de Kavanaugh na equipa universitária de basquetebol, o problema começou quando o grupo de amigos avistou um homem que lhes parecia ser Ali Campbell, o vocalista dos UB40. O observado não terá gostado de tanta atenção e refilou. Foi então que, de acordo com Ludington, Kavanaugh “atirou a sua cerveja ao tipo”, dando início a uma luta que terá envolvido um terceiro aluno de Yale, Chris Dudley, e que acabou com a polícia a ser chamada ao local à 1h20 da manhã.

O caso torna-se particularmente relevante porque, a confirmar-se, contrasta fortemente com a descrição que Brett Kavanaugh fez de si próprio na juventude perante o Comité Judicial do Senado, responsável por emitir um parecer sobre a sua nomeação como juiz do Supremo Tribunal. Kavanaugh tem a sua nomeação em suspenso desde que foi conhecida a acusação de abuso sexual feita por Christine Blasey Ford, sobre uma tentativa de agressão que terá ocorrido numa festa há 35 anos, quando a jovem tinha 15 anos e o juiz 17. Seguiram-se mais duas outras acusações de conduta sexual imprópria contra Kavanaugh.

O relato de Ludington é parcialmente confirmado por um relatório da Polícia de New Haven, a que o New York Times teve acesso. De acordo com a polícia, um homem de 21 anos chamado Dom Cozzolino acusou Kavanaugh de lhe ter atirado gelo para cima “por uma qualquer razão desconhecida”. Uma testemunha presente no local acrescentou às autoridades que Dudley, de seguida, atirou um copo contra Cozzolino, que acabou a “sangrar da orelha direita” e a ser tratado no hospital. Dudley negou a acusação à polícia e Kavanaugh não quis “dizer se atirou ou não o gelo”, pode ler-se no relatório. O Times explica que o relatório não descreve se houve ou não detenções, nem se alguém apresentou queixa.

A recordação de Ludington, atualmente professor na Universidade Estadual da Carolina do Norte, sobre o evento é ligeiramente diferente. Depois de Kavanaugh ter, alegadamente, atirado cerveja ou gelo ao homem em questão, este terá tentado atingi-lo de volta. Foi nesse altura que Dudley, segundo Ludington, “pegou na cerveja dele e partiu o copo contra a cabeça do tipo, que nesse momento estava a agarrar Brett. Eu tentei afastar o Chris e vários outros tipos tentaram afastar o homem. Não sei o que é que o Brett fez no meio da confusão, mas havia sangue, vidros, cerveja, alguns gritos e a polícia apareceu”, resume.

Ludington explicou ao jornal que decidiu relatar este episódio por considerar que Brett Kavanaugh não fez um retrato fidedigno da sua adolescência e juventude perante o Comité do Senado. O juiz declarou perante o Comité que, enquanto aluno, estava focado apenas nos estudos e no desporto e desmentiu os relatos de que beberia frequentemente, tornando-se por vezes agressivo. Ludington diz que, pelo menos nesse momento no bar Demery’s, não foi assim:

Numa das últimas ocasiões em que socializei por vontade minha com o Brett, testemunhei o momento em que reagiu a uma frase mais ou menos hostil atirando cerveja à cara do homem, em vez de acalmar a situação”, resumiu.

Os restantes envolvidos no incidente não quiseram dar a sua versão dos factos ao New York Times. A Casa Branca reagiu pela voz da secretária de imprensa, Sarah Huckabee Sanders, que classificou o artigo de “ridículo”. “Os democratas querem desesperadamente atacar o juiz Kavanaugh por ter atirado gelo quando estava na universidade. O que é que motivou a jornalista do New York Times a escrever esta história ridícula? Atirar gelo há 33 anos ou a opinião dela sobre o juiz Kavanaugh em julho?”, questionou, referindo-se a um tweet da jornalista do passado mês de julho em que Bazelon critica a Universidade de Yale, onde estudou, por ter elogiado amplamente Kavanaugh — uma decisão que foi criticada por vários ex-alunos à altura.

A Casa Branca autorizou entretanto o FBI a interrogar quaisquer pessoas necessárias à investigação sobre o caso de alegado abuso sexual do juiz, há 35 anos, desde que esta esteja terminada até ao final da semana. “O FBI deve interrogar quem eles quiserem dentro do bom senso, mas é preciso manter o bom senso”, declarou o Presidente Donald Trump aos jornalistas. “Mas eles também devem orientar-se — e eu também me estou a orientar — pelo que os senadores querem saber.” Inicialmente, a Casa Branca e os senadores republicanos tinham apresentado ao FBI uma lista de apenas quatro pessoas para serem interrogadas: Deborah Ramirez (que acusa Kavanaugh de outro incidente sexual em Yale), Mark Judge (que Christine Ford garante ter sido testemunha na sua agressão sexual) e P.J. Smyth e Leland Keyser (que Ford diz estarem na festa onde a agressão terá decorrido). O New York Times diz que Ramirez terá dado o nome de pelo menos 20 outras pessoas que podem confirmar a sua história.

Na discussão pública, a descrição do caráter de Kavanaugh enquanto estudante tem sido um dos tópicos mais debatidos, com versões contraditórias sobre o tipo de vida que o juiz levava no secundário e na universidade, nomeadamente sobre o consumo de álcool, a sua relação com as mulheres e o seu nível de agressividade. Esta segunda-feira, Trump aproveitou para defender o juiz nesta matéria, acusando senadores democratas de serem hipócritas por levantar a questão do consumo de álcool: “Eu conheço alguns senadores, um deles um dos que está do outro lado, que são muito agressivos. Já vi essa pessoa em algumas situações más”, acrescentou.

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