Ricardo Salgado esteve na manhã desta terça-feira no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), em Lisboa, a propósito do caso EDP, sobre o alegado favorecimento pelo Governo da elétrica nacional nos contratos para venda de eletricidade (CMEC). Salgado decidiu não prestar declarações e esteve menos de uma hora dentro do edifício.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

À saída, o antigo banqueiro não falou aos jornalistas e o seu advogado também não adiantou nada do que se passou no interior do DCIAP. A Procuradoria-Geral da República confirmou posteriormente que a diligência se realizou, mas que Salgado “optou por não prestar declarações em relação aos factos que lhe foram imputados”.

À entrada para o interrogatório, Ricardo Salgado tinha reafirmado “absolutamente” a sua inocência e mostrado disponibilidade para falar aos jornalistas no final, o que não veio a acontecer.

O antigo presidente do Banco Espírito Santo foi constituído arguido em abril deste ano, por suspeitas do crime de corrupção, na sequência de pagamentos feitos pelo Grupo Espírito Santo a Manuel Pinho quando este era ministro da Economia. Segundo o Ministério Público, o Grupo teria interesse em que o Governo favorecesse a EDP, porque na altura era acionista da elétrica, com pouco mais de 2%. Esses pagamentos, disse Salgado aos jornalistas, serão “explicados no devido momento”.

Caso EDP. Pinho recebeu meio milhão do GES quando era ministro. Ricardo Salgado vai ser arguido

Questionado ainda sobre a sua opinião relativamente ao sorteio que determinou que Ivo Rosa será o juiz responsável pela instrução da Operação Marquês — onde Salgado é acusado de vários crimes, entre eles corrupção ativa e branqueamento de capitais —, o antigo banqueiro disse preferir não comentar a decisão. “Acredito na Justiça e em quem esteja a representar a Justiça a todo o momento”, declarou. “Não é uma questão de confiança, é a certeza daquilo que fiz e do que não fiz”, explicou.