De acordo com o estudo “Encerramento de Multinacionais: o Capital que Fica”, coordenado por Pedro de Faria, professor da Universidade de Groningen, Holanda, os desempregados de uma empresa multinacional (EMN) que encerra atividade em Portugal têm maior probabilidade e arranjar emprego do que um desempregado de uma empresa nacional que feche as portas. A notícia é avançada pelo Jornal de Negócios, publicada esta manhã de quarta-feira.

O estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos vai ser apresentado no Porto, nesta tarde de quarta-feira, e faz uma avaliação do regresso dos trabalhadores ao mercado de trabalho e da oportunidade económica após o encerramento de empresas, que em média destroem 6.300 empregos por ano, em Portugal.

De acordo com os dados, a colocação de um trabalhador que saiu de uma EMN, após ela fechar, numa empresa nova traduz-se em 34%; a sua colocação no mesmo concelho traduz-se em 64% e a colocação no mesmo setor de atividade em 48%. São valores que contrastam muito quando comparados com os trabalhadores em empresas nacionais. Apenas 13% destes conseguem lugar numa empresa recém-criada; 57% são colocados no mesmo concelho; por fim, 31% são colocados no mesmo setor de atividade.

A análise estatística conclui que “93% dos trabalhadores que saíram de EMN que fecharam foram trabalhar para outras EMN e apenas 7% deles foram recrutados por empresas exclusivamente de capitais portugueses. Estes
números indiciam que é dada importância à experiência profissional adquirida nessas empresas e a posterior contratação é vista quase como uma garantia. Isto deve-se a que os trabalhadores acabem por desenvolver capacidades e rotinas enquanto trabalham numa EMN, que são valorizadas por outras empresas multinacionais.

No que diz respeito à oportunidade económica, as empresas passam a poder contratar profissionais qualificados com experiência profissional em contextos internacionais, que de outra forma estariam fora do alcance dessas empresas.

O estudo analisou o período entre 1985 e 2015 e, segundo os dados recolhidos, todos os anos uma em cada 10 empresas multinacionais fecha portas em Portugal.

Segundo os dados incluídos neste estudo, que analisou o período entre 1985 e 2015, todos os anos fecham portas mais de 200 EMN em Portugal. Assim, são destruídos em média 6.300 empregos no país, por ano, o que justifica a “agitação” no investimento estrangeiro em Portugal e também “indicia a facilidade com que as multinacionais deslocalizam atividades de país para país”.

Este valor corresponde, por sua vez, a uma perda média de 31 empregos a cada abandono de operações. Pedro de Faria sublinha o “impacto que podem ter nas comunidades, uma vez que representam uma perda significativa de emprego para a região”.