Os governos português e argelino assinaram esta quarta-feira uma declaração conjunta em que prometem reforçar a cooperação policial, aprofundar os mecanismos de prevenção e combate à criminalidade organizada, ao terrorismo e ao seu financiamento. Esta linha de ação consta do documento de conclusões, com 87 pontos, que resultou da V Cimeira Luso-Argelina, que terminou esta quarta-feira, em Lisboa.

No plano internacional, os dois governos referem que registaram “uma ampla convergência de pontos de vista” e manifestaram “firme empenhamento” no sentido de tornar o Mediterrâneo “um espaço de progressiva integração social, de paz e de segurança”. Para tal, os executivos de Lisboa e de Argel afirmam-se empenhados na luta contra o terrorismo, contra o seu financiamento, contra a criminalidade organizada e a imigração ilegal.

“As duas partes condenam totalmente o terrorismo, que constitui uma ameaça à estabilidade dos Estados, assim como à paz e à segurança internacional”, lê-se no documento, em que também se manifesta o desejo no sentido de que seja encontrada uma solução política para a Líbia, preservando a “unidade do povo líbio” e a “integridade territorial” deste país.

Os governos de Portugal e da Argélia dedicam ainda um ponto à questão do Sahara Ocidental, no qual expressam a vontade de ambos os países no sentido de que seja encontrada uma solução “justa e aceitável”. Ainda no plano político, os executivos de Argel e Lisboa mostram-se satisfeitos com a cooperação de apoio recíproco a candidaturas a lugares internacionais, destacando-se o caso recente da eleição de António Vitorino para o cargo de diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações.

Além de promessas de cooperação nos planos policial (guarda de fronteira e polícia científica) e na justiça, os dois governos esperam intensificar as relações económicas entre os dois países. “O Governo argelino encoraja as empresas portuguesas a instalarem-se e investirem na Argélia, num quadro de operações de parceria”, refere-se no texto da declaração conjunta.

Por sua vez, Portugal considera haver interesse empresarial português em domínios como as infraestruturas e desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação (TIC).

No plano energético, Portugal e Argélia esperam “intensificar a cooperação nos domínios do gás natural e das energias renováveis, designadamente em matéria de equipamentos energéticos, engenharia e formação”.