O vereador do Urbanismo da Câmara Municipal de Lisboa, Manuel Salgado, foi acusado pelo Bloco de Esquerda de colaborar com o processo de “expulsar os moradores do centro da cidade”, uma vez que propôs alterações ao Plano de Urbanização da Avenida da Liberdade e Zona Envolvente. De acordo com o DN, o vereador, que também é responsável pelos pelouros do Planeamento, Património e Obras Municipais, “levou em julho passado uma proposta a reunião de câmara para a desafetação de fim de utilidade pública de oito imóveis classificados na zona da Avenida da Liberdade”.

Segundo o Bloco de Esquerda, a desafetação dos edifícios em causa pode vir a contribuir para “um projeto de cidade em que apenas importam o turismo e a habitação de luxo”, no qual Salgado teve um importante papel, “por sua iniciativa e em conformidade com a sua visão de cidade”.

O BE defende ainda que tal se deve “pela zona da cidade onde estão situados e por estarem bloqueados a equipamentos de uso público, podiam servir e fixar a população de Lisboa, nomeadamente com a construção de creches, escolas, equipamentos de saúde, numa zona que concentra muito emprego e, portanto, muitas pessoas”, e que a alteração do PAULZE pode conduzir à especulação imobiliária e, em última instância, levar à expulsão dos moradores destas zonas.

No entanto, a autarquia lisboeta sublinha que “os serviços municipais de planeamento nos estudos que fizeram no âmbito do Plano da Avenida concluíram que não há necessidades de equipamentos públicos, como escolas ou creches numa zona, de resto, de baixa densidade populacional”, lembrando que “os edifícios em causa são maioritariamente particulares e deixaram de cumprir a função de uso público”.