O almirante norte-americano James G. Foggo, chefe do Comando Nápoles da NATO, reconheceu esta sexta-feira que o “efeito dissuasor” dirigido à Rússia é um dos motivos das manobras “Trident Juncture”, a maior mobilização da Aliança nos últimos 20 anos.

“Vão ver naquilo que somos bons e julgo que terá um efeito dissuasor”, declarou Foggo numa referência à Rússia, ao ser questionado durante uma conferência de imprensa no Pentágono. Apesar de ter recusado comparar a atual situação aos tempos da Guerra fria, por considerar que o Kremlin já não possui capacidade de atuar de forma global, Foggo reconheceu que o reforço militar da Rússia suscita certa “preocupação” no interior da Aliança Atlântica.

“A Rússia não é um gigante de 10 pés [três metros], mas possui ativos que me mantêm alerta, preocupado”, admitiu. O almirante assinalou, como exemplo, a construção de navios de guerra pelas Forças Armadas russas, mas considerou que a sua escassez em porta-aviões limita a capacidade de atuação.

Numa referência às recentes informações que apontam para a construção pela Rússia de uma frota de submarinos silenciosos que dificultariam a sua localização, Foggo assegurou que os aliados mantêm “uma superioridade acústica” que prevalecerá no futuro. O almirante norte-americano assinalou que estas manobras serão essencialmente “um exercício logístico”, pelo facto de a mobilidade das tropas constituir a chave de toda a estratégia de dissuasão.

“Para poder dissuadir há que estar presente, e para estar presente há que chegar ali e há que fazê-lo rapidamente”, concluiu Foggo. As manobras “Trident Juncture” vão reunir em torno do Mar Báltico, entre 25 de outubro e 07 de novembro, 45.000 militares de 31 países da NATO e parceiros da Aliança, sendo disponibilizados cerca de 150 aviões, 60 embarcações e até 10.000 veículos.