O Governo da Venezuela anunciou esta sexta-feira que vai criar uma polícia administrativa migratória que atenderá “tudo o que tenha a ver com controlo nas fronteiras, portos e aeroportos do país. O anúncio foi feito pela vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, através do canal estatal Venezuelana de Televisão (VTV).

“Nasceu a polícia migratória para preservar a segurança cidadã e o controlo migratório, como existe também noutros países onde é um serviço administrativo, direto, que confere operações a um organismo especializado nesta matéria”, disse. Segundo Delcy Rodríguez, a nova polícia está a ser formada na Universidade Nacional Experimental da Segurança (UNES) e a sua constituição tem a ver com uma nova estrutura organizativa do Serviço Administrativo de Identificação, Migração e Estrangeiros (SAIME), organismo que preservará as suas competências em matéria de identificação e serviços a estrangeiros.

Nasce assim, então, operacionalmente, a polícia migratória, para atender os 72 pontos de controlo (dos serviços de migração) que existem tanto nas fronteiras, como nos portos e aeroportos”.

A nova polícia migratória surge num momento em que milhares de venezuelanos cruzam diariamente as fronteiras terrestres com a Colômbia e o Brasil, fugindo à crise política, económica e social que afeta aquele país petrolífero. Dados divulgados recentemente pela ONU dão conta de que mais de 2,3 milhões de venezuelanos residem atualmente no estrangeiro e que mais de 1,9 milhões terá abandonado a Venezuela desde 2015, ano em que começou a sentir-se os efeitos da crise no país.

A maioria dos venezuelanos tem optado por radicar-se na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Panamá, Peru e República Dominicana. O Governo do Presidente Nicolás Maduro insiste que não há uma crise migratória no país, mas sim uma campanha de “descrédito” que procura dar a imagem de êxodos em massa de venezuelanos.