Luís Marques Mendes não tem dúvidas: o Orçamento do Estado para 2019 é “o mais eleitoralista possível”. No seu espaço de comentário na SIC, o ex-líder do PSD referiu que são já três as conclusões que se podem retirar das propostas que vão sendo conhecidas, e uma delas é que este é um orçamento feito para “agradar as pessoas”.

“Em primeiro lugar, do ponto de vista do país, este orçamento vai ter uma marca histórica. Vai ter uma previsão de défice de 0,2%, mas que na prática é zero”, começou por explicar Marques Mendes. Esta diminuição do défice, acrescenta, será “um resultado histórico”, nunca antes conseguido na democracia portuguesa.

Em segundo lugar, Marques Mendes refere que medidas como a subsidiação dos passes na Grande Lisboa e Porto tornam este orçamento “do ponto de vista dos portugueses, muito popular”. Como? “Os funcionários públicos, os pensionistas, os utilizadores dos transportes urbanos em Lisboa e Porto vão adorar, porque os passes vão baixar. Uns vão beneficiar e outros vão ter a perceção de que estão a ser beneficiados”, explicou.

Já do ponto de vista político, explica o ex-líder do PSD, este Orçamento do Estado vai ser “um bónus eleitoral para o PS”, tendo em conta que “é a pensar na maioria absoluta” dos socialistas e “o mais eleitoralista possível”. A grande preocupação deixada por Marques Mendes passa pela sustentabilidade de todas estas medidas: “É muito bom poder agradar às pessoas, distribuindo mais dinheiro; é muito bom poder melhorar o rendimento das pessoas, mas se não há conta, peso e medida, hoje dá-se e amanhã tira-se”, alertou, receando que este orçamento não seja “sustentável para o futuro”.

Mário Centeno vai ou não continuar neste Governo?

“Este é o último ano de Mário Centeno”, considerou Marques Mendes, utilizando a entrevista que António Costa deu à TVI como confirmação sobre o futuro do ministro das Finanças. O seu lugar poderá agora passar “por um de dois cargos: ou Presidente do próximo Fundo Monetário Europeu ou Comissário Europeu, podendo chegar a vice-presidente da Comissão Europeia”. Sobre quem vai substituir o cargo atual de Centeno no Governo, Marques Mendes dá duas soluções: ou Mourinho Félix — a solução que considera ser “a mais óbvia” — ou Vieira da Silva, que “foi a primeira escolha de António Costa para Ministro das Finanças do Governo”.

Tancos. “Um ministro sob suspeita é um ministro diminuído na sua autoridade”

Esta semana, o ministro da Defesa voltou a ser criticado a respeito do furto de material de guerra dos Paióis Nacionais de Tancos, incluindo pela sua ausência das cerimónias de celebração do 5 de agosto. Segundo Luís Marques Mendes, o facto de Azeredo Lopes estar sob suspeita é um motivo forte para a sua saída, e o ministro deveria “colocar o interesse público das Forças Armadas acima do interesse pessoal”. “Aplicada esta teoria, eu acho que Azeredo Lopes deveria sair ou ser convidado a sair. (…) Um ministro sob suspeita é um ministro diminuído na sua autoridade, condicionado na sua ação e fragilizado dentro do Governo”. 

Marques Mendes considerou ainda que uma razão ainda mais forte para a saída de Azeredo Lopes passa pelo facto de “não ser um ministro qualquer, é o ministro das Forças Armadas”, o que significa que toda a história acaba por ser “também uma mancha nas Forças Armadas”.

Para o ex-líder do PSD, há uma probabilidade de o ministro da Defesa vir ser constituído arguido e “um ministro constituído arguido tem que sair do Governo”. “Seria muito mais correto e mais digno sair pelo seu próprio pé e com alguma dignidade, do que empurrado mais tarde já sem pouca dignidade”, acrescentou.