Cultura

Ainda há esperança para The Walking Dead?

“The Walking Dead” foi refrescante quando surgiu mas acomodou-se depressa. Passou de um mundo apocalíptico para um cruzeiro ao ritmo de um walker. A nona temporada chega agora. Será que traz mudanças?

Rick, Rick, Rick... o que é que vai ser de ti?

Autor
  • André Almeida Santos
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[Este texto inclui potenciais spoilers. Se não quer saber nada sobre o primeiro episódio da nova temporada, não leia mais]

Quando tudo começou, em 2010, era difícil de adivinhar o sucesso apocalíptico de “The Walking Dead”. Uns meses depois, mas já em 2011, chegou “Guerra dos Tronos”. De repente, duas séries baseadas em géneros que, em princípio, não eram os preferidos do grande público, tornaram-se naquelas de que toda a gente falava. E assim permanecem. Sucessos inesperados? Talvez não. Entre as razões estão os elementos narrativos que surgiram como novidade para o grande público — e este agarrou-os de bom grado. “Perdidos” já tinha feito muito disso, mas não foi tão bom a publicitar como o fazia. Com “The Walking Dead” e “Game Of Thrones” pareceu novidade a morte inesperada de alguns protagonistas, a certeza de que nenhuma personagem estaria a salvo e, claro, o ritmo muito telenovela da coisa (mais no caso “The Walking Dead”) com a máscara de série.

2018 e aqui estamos. “The Walking Dead” talvez já não seja tão popular como foi noutras temporadas, os números médios de audiência estão algo abaixo de quando a série esteve no seu pico (entre a quarta e sexta temporada), mas continua a ser um fenómeno. E quer continuar a ser, talvez crescer, com um novo ciclo que arranca nesta nona temporada, cujo primeiro episódio passa esta segunda-feira, dia 8, no horário nobre da FOX (22h15), depois da estreia nesta madrugada nos Estados Unidos (a FOX estreou o episódio em simultâneo com a sua transmissão norte-americana).

Pelo primeiro episódio ainda não parece um novo ciclo. Parece mais uma passagem do testemunho. Já se sabe de antemão que esta será a última temporada de Rick Grimes (Andrew Lincoln) e que, à semelhança dos livros, esta temporada vai tentar instituir um maior espírito de comunidade, de construção de uma civilização com regras, leis, etc. Tudo para instaurar um novo começo. A sobrevivência fará – sempre – parte do jogo, mas é possível sobreviver com um futuro em frente que seja mais do que fugir de walkers. Paz em vez de guerra.

[O primeiro trailer da nova temporada. Mais uma vez avisamos: se não quer saber nada sobre a nova temporada, não veja:]

Há um grande salto temporal neste primeiro episódio da nona temporada. Passaram-se quase dois anos depois do confronto com Negan (Jeffrey Dean Morgan) e Rick & companhia estão a viver com uma série de outros sobreviventes, numa tentativa de almejar a essa comunidade que foi tantas vezes tentada ao longo da série – até por algumas personagens que se apresentavam como vilões na narrativa – e que até agora nunca foi conseguida.

Ou seja, o sentimento de déjà vu é inevitável com “The Walking Dead”. Ao longo das oito temporadas anteriores, a série tem existido num limbo, entre a excitação do que está para vir e as promessas não cumpridas. Apesar de seguir a lógica da banda-desenhada de Robert Kirkman, o tom televisivo é menos expansivo e limitativo na sua ambição: a promessa de que ninguém está a salvo está sempre presa por outros compromissos. Por isso, toda esta ambição montada para a nova temporada não é mais do que material revisto no passado, uma passagem de testemunho que seria melhor – e mais refrescante – se fosse feita de forma brusca e não ao longo de vários episódios. Neste primeiro episódio da nona temporada ainda não há cheiro a novidade. Continuando assim, Rick irá sair de cena num ponto de saturação, não num momento que deixará saudades.

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