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“Empresas, vocês não vão encontrar gente suficiente para contratar”, avisa secretária de Estado do Ensino Superior

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Empresários têm de "invadir" escolas e universidades, para que a era digital seja uma oportunidade e não uma ameaça. Estudo Microsoft/EY sobre Inteligência Artificial aponta para atraso em Portugal.

Maria Fernanda Rollo aproveitou a plateia de empresários reunida num evento da Microsoft para falar sobre a interação que deve existir entre empresas e instituições de ensino superior. FOTO: Edgar Caetano/OBSERVADOR

Só um em cada três jovens em Portugal prossegue estudos para as universidades e politécnicos, algo que, aliado à globalização da procura por recursos humanos qualificados, leva Maria Fernanda Rollo, secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior a avisar os empresários que “não vão ter gente suficiente para as vossas necessidades nos próximos anos“. O alerta foi dado durante um evento de apresentação de um estudo promovido pela Microsoft Portugal e pela consultora EY sobre a implantação das tecnologias de inteligência artificial em Portugal e na Europa — inteligência artificial que, normalmente, aparece associada a um hipotético risco de se prescindir dos recursos humanos, em detrimento dos “robôs”. Para a responsável governativa, o problema com que as empresas nacionais se confrontam é precisamente o contrário.

Perante uma plateia de empresários, em Lisboa, Maria Fernanda Rollo incentivou a audiência a “invadir” as instituições de ensino superior — as universidades e os politécnicos –, porque já não se pode dizer que as universidades continuam a trabalhar “dentro das suas torres de marfim”. Em conversa com o Observador e com o Jornal Económico, depois da conferência, a secretária de Estado sublinhou que “as universidades e politécnicos têm feito um esforço muito grande, bem sucedido, de relacionamento com o tecido empresarial — e isso acontece um pouco por todo o país, não é só principais universidades de Lisboa e Porto”.

Precisávamos, também, que as empresas chamassem as instituições de ensino superior de uma forma mais organizada e persistente e que solicitassem a sua contribuição objetiva. Era importante que elas viessem contactar-nos de forma organizada e chamando para desafios concretos, porque as instituições de ensino superior já estão a preparar cursos colaborativos com as empresas, em que o próprio desenho do curso pode ser feito de forma a dar resposta quase imediata e conjunturais às necessidades das empresas”.

O repto lançado pela secretária de Estado surgiu a propósito de uma discussão sobre o “Portugal a duas velocidades” que existe em matéria tecnológica. “Temos um sistema empresarial e de ensino superior muito avançados, que nos orgulha e nos prestigia — às vezes não divulgamos tudo o que temos — mas, depois, temos o outro país, onde um terço das pessoas nunca tocou na Internet”.

Empresas portuguesas abaixo da média europeia na aplicação de Inteligência Artificial

Esse “Portugal a duas velocidades” pode ajudar a enquadrar as conclusões do estudo lançado pela Microsoft Portugal e desenvolvido pela consultora EY, que revelou que as empresas portuguesas estão abaixo da média europeia na aplicação de uma tecnologia tão decisiva como é a Inteligência Artificial (IA).

Segundo as conclusões do estudo, 45% das empresas nacionais ainda não iniciaram qualquer projeto-piloto relacionado com IA, ao passo que na média europeia apenas 29% estão ainda completamente afastadas da realidade. Apesar disso, 82% das empresas nacionais dizem estar a programar a entrada em fase piloto ou o lançamento de iniciativas de IA, o que, para a consultora, “demonstra que a introdução desta tecnologia no tecido empresarial português está a crescer, mas há ainda muito trabalho a fazer para o país alcançar a maturidade desejada”.

É interessante perceber, com este estudo, que as organizações priorizam a compreensão da IA e antecipam um elevado impacto nos negócios. Embora a maioria das organizações esteja ainda na fase de implementação de projetos-piloto, o impacto esperado é muito elevado quer no core do negócio, quer em novos produtos que surjam como resultado da aplicação de soluções de  Inteligência Artificial”, afirma Paula Panarra, diretora-geral da Microsoft Portugal.

O que é a Inteligência Artificial?

A Inteligência Artificial é definida pela capacidade de uma máquina desempenhar ações cognitivas normalmente associadas ao ser humano, tais como o raciocínio lógico, a resolução de problema e o processamento de elevados volumes de dados. Inclui, por isso, soluções de previsão, automação, identificação de tendências, personalização e prescrição.

O estudo “Inteligência Artificial na Europa” foi desenvolvido a partir de um inquérito e de entrevistas realizadas junto de gestores e especialistas em tecnologias de informação (TI), de mais de 277 empresas europeias, 22 das quais portuguesas. Entre essas estão entidades como o Crédito Agrícola, que revelou ter em curso programas de IA relacionados com a prevenção de crimes financeiros e cumprimento das obrigações regulatórias, a Salsa, que está a apostar nesta tecnologia na área do e-commerce e das recomendações personalizadas aos clientes, os CTT, que participaram num vídeo mostrado no evento a falar sobre o uso da IA para reconhecimento de moradas e planeamento otimizado de rotas de entrega, e a NOS, com o sistema automático — o bot — de venda de bilhetes para o cinema.

Além destas, também a EDP, não sendo uma “empresa nativa digital”, quer “emular algum do ADN” das novas empresas e startups, pelo que criou uma unidade chamada Digital Global Unit para encontrar as melhores oportunidades na digitalização das várias atividades e geografias onde opera, como explicou o responsável por esta divisão, José Ferrari Careto.

Apesar de haver uma implantação abaixo da média de projetos de IA, 64% das empresas nacionais reconhece que a IA vai ter um impacto significativo nas respetivas indústrias, nomeadamente, através do surgimento de novas empresas e startups, bem como de novos produtos, serviços e modelos de negócio.

Quando se fala em IA, as empresas inquiridas mostraram-se, porém, preocupadas com as obrigações regulamentares que podem advir da utilização desta tecnologia. Mais de metade das empresas inquiridos nacionais consideram que são necessárias “guidelines claras e regulamentos quando se implementam soluções de IA”. Outro fator que gera preocupação entre as empresas é o impacto da IA no pessoal — sobretudo pela necessidade de requalificar os recursos humanos para trabalhar com estas novas soluções.

O estudo feito pela EY, em nome da Microsoft Portugal, pode ser encontrado, na íntegra, nesta ligação.

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