O Dakar é uma prova muito particular, onde tradicionalmente ganham os modelos que são mais favorecidos (ou menos penalizados) pelo regulamento da competição. E, nos últimos anos, a direcção da prova francesa favoreceu os buggies, mais leves e com apenas tracção atrás, o que permitiu à Peugeot dominar as últimas edições. Mas se o carro era bom, rápido e robusto, os pilotos que o conduziam não ficavam atrás, pois Carlos Sainz, Stéphane Peterhansel e Cyril Despres são exímios a evitar as ratoeiras do Dakar – que nasceu africano, mas que viajou para a América Latina a partir de 2008.

A Mini dominou o Dakar entre 2012 e 2015, com um protótipo de um SUV 4×4. Mas há muito que percebeu que sem buggy não há vitórias. Na última edição, a marca – ou melhor, a equipa X-Raid que faz correr os Mini, pertença de Sven Quandt, da família que controla o Grupo BMW – já tinha inscrito um buggy. A coisa não correu bem, mas foi o suficiente para convencer Sven que, para 2019, era esse o caminho.

E se resolveu enterrar os SUV 4×4 e copiar os Peugeot vencedores (primeiro, o 2008 DKR e, depois, o 3008 DKR), a X-Raid decidiu também dar uma mão à ‘equipa maravilha’ que os conduzia, e que ficou desempregada com o abandono da prova maratona por parte da marca francesa. Assim, Sven trocou os seus antigos pilotos pela tripla Sainz, Peterhansel e Despres.

Os buggies Mini John Cooper Works recorrem ao já conhecido motor de seis cilindros 3.0 com 350 cv, o que lhes permite atingir 190 km/h.

A prova começa a 6 de Janeiro, em Lima (Perú), e termina 11 dias e 5.000 km depois. Para que o forte investimento da X-Raid seja rentabilizado, é bom que o regulamento continue a favorecer os buggies, face aos modelos que recorrem à tracção às quatro rodas, tradicionalmente os veículos típicos para provas deste tipo.