Não há muitos veículos mais emblemáticos do que o Volkswagen Carocha. No Car of the Century de 1999, o Volkswagen Type 1 alcançou a 4ª posição entre os modelos mais influentes do século XX, atrás do Ford Model T, do Mini e do Citroën DS. Contudo, se o Carocha tem interesse enquanto clássico, nem sempre atinge quantias muito avultadas, essencialmente por terem sido fabricadas mais de 21,5 milhões de unidades.

O Carocha que está à venda no site da Hemmings é um desses, produzido em 1964, ano em que a Volkswagen colocou no mercado 948.370 veículos similares. O modelo em causa, pintado de preto, cor muito em voga à época, foi adquirido por Rudy Zvarich, um apaixonado pela reparação de automóveis e de rádios que já possuía um Carocha de 1957, carro que utilizava no seu dia-a-dia. Temendo que um dia um acidente tornasse difícil recuperar o seu velho Volkswagen, Zvarich adquiriu uma segunda unidade em 1965. Mas fez questão de comprar um Carocha do ano anterior, isto porque ainda era igual ao seu, ou seja, sem o pára-brisas curvo, maior superfície vidrada e algumas alterações na frente.

12 fotos

Como o modelo de 57 nunca teve problemas, este Carocha de 64 acabou por nunca sair da garagem, continuando a marcar 23 milhas. E, se nas fotos aparecem 22 milhas no odómetro, é apenas porque o clique da última milha caiu quando se carregava o Volkswagen para o reboque. Rudy Zvarich viria a falecer em 2014, já com 87 anos, mas o seu Carocha sobreviveu, até ser herdado pelo seu sobrinho.

O Carocha de 1964 está agora à venda na Hemmings por 1 milhão de dólares, cerca de 871.500€, valor elevado que se fica a dever não à raridade do modelo, mas sim ao estado em que se encontra. Bem como ao facto de nunca ter circulado – os limpa-vidros nunca foram montados e ainda estão na caixa em que vieram da Alemanha, tal como as tampas dos cubos de roda –, ou de ter sido lavado, pois estão impecáveis os autocolantes do concessionário colocados nos vidros.

Há efectivamente alguns Carochas no mundo muito bem conservados, alguns dos quais podem ser encontrados no museu da marca, na Alemanha. Mas como este, com 54 anos e sem nunca ter rodado um quilómetro, à excepção dos realizados durante os testes na fábrica, dificilmente existirá outro.