Angola

Angola pede a China que retome mecanismo que supervisiona cooperação bilateral

O Presidente de Angola pediu, na terça-feira, ao Governo da China que retome a comissão orientadora para a cooperação económica e comercial bilateral, durante uma receção em Pequim.

ROMAN PILIPEY/EPA

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  • Agência Lusa
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O Presidente de Angola pediu, na terça-feira, ao Governo da China que retome a comissão orientadora para a cooperação económica e comercial bilateral, durante uma receção em Pequim.

João Lourenço considerou aquela iniciativa de “extrema importância”, por permitir que os dois países façam um “acompanhamento efetivo” de todos os aspetos relacionados com a cooperação bilateral, de acordo com a agência de notícias oficial angolana, ANGOP.

Em janeiro passado, o ministro dos Negócios Estrangeiros angolano, Manuel Augusto, afirmou ter decidido, com o homólogo chinês, “que equipas técnicas de Angola e da China devem trabalhar no âmbito da preparação da segunda sessão da comissão orientadora de cooperação económica e comercial entre Angola e a China, que é o mecanismo utilizado entre os dois países para coordenar e supervisionar a cooperação económica bilateral”

Manuel Augusto indicou que a segunda sessão teria lugar em Luanda. João Lourenço falava durante um encontro com o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, antes de ser recebido pelo homólogo chinês, Xi Jinping, no Grande Palácio do Povo. O líder angolano sublinhou a “reação encorajadora e disponibilidade” de Pequim para financiar a construção de infraestruturas em Angola, nomeadamente estradas, caminhos de ferro, barragens, portos e aeroportos.

“Devo sublinhar que temos procurado apresentar projetos que possam contribuir para o crescimento económico de Angola, e melhorar a sua capacidade de reembolsar os créditos que recebe”, afirmou.

Lourenço, que tomou posse como chefe de Estado angolano a 26 de setembro de 2017, lembrou ao homólogo chinês que Angola vive uma “nova era”, com “maior abertura ao mundo, maiores direitos e liberdades para os seus cidadãos” e “maior transparência e concorrência nos negócios”, com “menos burocracia e mais combate à corrupção”.

E enfatizou ainda a importância do investimento privado chinês em Angola, numa relação que tem sido dominada pela aliança entre os dois Estados.

“Considero que este será um importante fator dinamizador da economia e do desenvolvimento do nosso país, por via da geração de recursos, aumentando a produção interna de bens e serviços de consumo e as exportações, que nos permitirão fortalecer a capacidade interna de geração de divisas”, disse.

Esta é a segunda visita de João Lourenço a Pequim no espaço de 40 dias, depois de, no início de setembro, ter participado na terceira cimeira do Fórum de Cooperação China-África (FOCAC).

A China é atualmente o maior cliente do petróleo angolano e, depois de a guerra civil em Angola ter acabado, em 2012, tornou-se num dos principais atores da reconstrução do país, nomeadamente estradas, caminhos de ferro e outras infraestruturas. Segundo estimativas da China Africa Research Initiative, da Universidade Johns Hopkins, desde 2000, Angola recebeu um total de 42 mil milhões de dólares (36,6 mil milhões de euros) em crédito chinês.

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