José Maria Nóbrega, o viola de fado que acompanhou o fadista Carlos do Carmo, tanto em gravações como em espetáculos, ao longo de mais de 40 anos,  faleceu na passada terça-feira.

O velório realiza-se a partir das 17:00 desta quarta-feira, na capela da Igreja da Reboleira, onde, quinta-feira, será celebrada missa ao meio dia. O funeral acontecerá no crematório do cemitério de Barcarena.

Em jovem, com um amigo da sua idade que tocava violino, fundou um dueto a que acabou por se juntar outro jovem que tocava viola. Ao, então, trio com quem começou a trabalhar nas suas folgas juntaram-se mais músicos e formaram um conjunto musical, com bateria, saxofone e acordeão.

Mais tarde, foi convidado pelo guitarrista Álvaro Martins, que o iniciou na viola de fado, e com o qual tocou durante quase dez anos numa casa de fados do Porto, o “Tamariz”. Em janeiro de 1957, o então duo, foi convidado pelo cantor e compositor Moniz Trindade para atuar durante um mês em Lisboa.

Quando se mudou para Lisboa, estabeleceu-se então no Largo da Misericórdia, onde trabalhou como alfaiate, dividindo o seu tempo entre a profissão e o gosto pelo fado, que acabou por se tornar a sua atividade a tempo inteiro. Com o guitarrista Jorge Fontes apresentou-se no restaurante O Folclore, onde acompanhou fadistas como Ada de Castro e Lídia Ribeiro, tendo sido durante este período que conheceu o guitarrista António Chaínho.

Simultaneamente, atuou nos programas de fado transmitidos pela antiga Emissora Nacional, sendo convidado por Filipe Pinto para acompanhar a fadista Amália Rodrigues, com a qual não chegou a trabalhar.

Após a saída do elenco de O Folclores, passou a acompanhar diferentes fadistas, dos quais se destacou Carlos do Carmo. Em 1981, foi distinguido com o guitarrista António Chaínho, com o Prémio da Imprensa Fado (instrumentalista) e, em 2004, durante a Grande Noite do Fado, recebeu o Prémio Carreira.