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No leilão em que Banksy roubou as atenções, Jenny tornou-se a artista viva mais cara da história

Bansky foi notícia em todo o mundo devido a uma das mais inovadoras representações artísticas dos últimos anos. Mas, no mesmo dia, Jenny Saville tornou-se a artista viva mais cara da história.

"Propped", de Jenny Saville, foi vendido por 10,8 milhões de euros na passada sexta-feira

Getty Images for Sotheby's

Na passada sexta-feira, Banksy inscreveu o próprio nome na história da arte contemporânea – se é que já não o tinha feito – ao destruir parcialmente “Girl with a Balloon”, uma pintura em grafite e acrílico que é uma das mais conhecidas do artista que ninguém conhece e que tinha acabado de ser vendida num leilão da Sotheby’s por um milhão de libras. Banksy foi, por isso mesmo, o tema do fim de semana um pouco por todo o mundo, tornou-se ainda mais mediático para os que já conheciam a sua obra, deu-a a conhecer a quem dela nada sabia e deixou milhares de pessoas a imaginar como é que conseguiu sequer colocar uma destruidora de papel na moldura de um quadro e fazer com que funcionasse precisamente na altura certa. Mas tudo isto roubou o foco da atenção de Jenny Saville.

A pintora inglesa de 48 anos tornou-se também na passada sexta-feira a artista viva mais cara da história. “Propped”, um auto-retrato nu que Jenny Saville pintou em 1992, foi vendido por 10,8 milhões de euros – o valor mais alto alguma vez dado num leilão por uma obra de uma artista ainda viva. A luta pelo quadro fez-se por chamadas telefónicas e tinha oito interessados naquela que é considerada “uma das obras-primas indiscutíveis dos jovens artistas britânicos”. De acordo com o Smithsonian, a pintura não aparecia em público desde 1997, altura em que integrou a exposição “Sensation” na Royal Academy of Arts, em Londres, e tinha sido adquirida em 2004 por David Teiger, um colecionador de arte que morreu em 2014.

Jenny Saville, de 48 anos, tornou-se mais conhecida com uma exposição de fotografia e não de pintura

Jenny Saville é conhecida pelos nus femininos gigantes que rejeitam os tradicionais conceitos de beleza da mulher e os parâmetros de peso e formato de corpo normalmente representados na arte e na cultura. Assumidamente feminista, a artista inglesa já referiu que o seu objetivo é representar as mulheres tal como as mulheres se vêem – e não como os homens pintam as mulheres. Em 2003, saltou para os holofotes dos corredores da arte internacional com a exposição “Migrants”, em Nova Iorque, onde expunha várias fotografias que denunciavam os maus tratos diários que aconteciam na prisão de Abu Ghraib, no Iraque.

Banksy foi o autor de uma das representações artísticas mais inovadoras e surpreendentes no mundo da arte nas últimas décadas. Mas foi Jenny Saville quem se tornou a artista viva mais valiosa do mundo – e quase ninguém está a falar dela.

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