José Maria Ricciardi diz que o Sporting se encontra “em situação de pré-falência” e que não encontra “qualquer capacidade na nova direção para resolver este problema”, garantindo que continua a ser oposição a Frederico Varandas. Numa entrevista à CMTV esta terça-feira, Ricciardi disse que alertou “antes das eleições” para a situação financeira do clube e rejeitou que tenha sido “exagerado”, como a Comissão de Gestão do Sporting lhe terá chamado.

“O Sporting encontra-se neste momento numa situação de pré-falência e a todos os sócios do Sporting eu vejo-me obrigado a dizer isto: não vejo qualquer capacidade na nova direção para resolver o problema”, afirmou.

“Sou [oposição a Frederico Varandas], porque ao fim do mês vejo que o Sporting não tem um tostão, deve 54 milhões de euros aos fornecedores — ou pelo menos devia a 30 de junho, entendo que hoje deve dever mais porque já passou algum tempo”, continuou Ricciardi.

Citando notícias que têm sido publicadas na imprensa — e sublinhando estar apenas a olhar para o que vem nos meios de comunicação social, Ricciardi acusou a direção de Frederico Varandas de acumular dívidas. “Ao contrário do que disse a Comissão de Gestão do Sporting, que eu era um exagerado, o Sporting não pagou uma parcela do que tinha de pagar do Acuña, do Raphinha e do Bataglia. O Sporting não paga aquilo que tem de pagar. Há clubes que ameaçam ir para a FIFA”, disse.

“Ao fim de um mês não vislumbro qualquer capacidade na nova direção para resolver este problema”, disse Ricciardi, tornando a sublinhar que “sem dinheiro não há futebol”. Ricciardi disse ainda ter informações internas de que a nova direção não tem soluções para resolver estes problemas e foi taxativo: “Não reconheço a Frederico Varandas qualquer credibilidade para resolver os problemas do Sporting”.

Porém, diz que não vai colaborar na resolução do problema. “Os sócios votaram de forma inequívoca nesta direção e eu tenho de respeitar isso. Acharam que era esta direção a resolver os problemas do Sporting. Fui candidato, os sócios não quiseram que eu ganhasse.”

Frederico Varandas: acabou o tempo de o Sporting ser um “circo” e alvo de “chacota”

O presidente do Sporting, Frederico Varandas, reagiu dizendo que acabou o tempo em que o clube era um “circo”, um “produto televisivo de chacota” para os sportinguistas e de “risota” para os adversários. À entrada para a cimeira de presidentes da Liga de futebol, no Convento São Francisco, em Coimbra, Varandas disse também que o clube está nesta cimeira para “defender a transparência e a 100% a valorização do futebol português”.

Questionado sobre recentes críticas de José Maria Ricciardi, que foi candidato à presidência, Frederico Varandas optou inicialmente por não comentar, mas acabou por aceder às questões, realçando que muito ficarão tristes por os problemas do Sporting estarem a ser resolvidos.

“Há muitas pessoas que estão habituadas ao Sporting ser um circo, um produto televisivo de chacota, mas esse tempo acabou. Será também uma tristeza para alguns, mas o empréstimo obrigacionista é uma realidade e o financiamento será em novembro. Será também uma tristeza para outros, mas o processo das rescisões também serão resolvidos”, disse.

Frederico Varandas disse igualmente que os processos das rescisões “são muito sensíveis” e que esse é um assunto que “não pode ser discutido na praça pública”. “O que garanto é que defenderei o Sporting. E isso significa, muitas vezes, estar calado”, referiu.

Sem colocar em causa do desempenho de José Peseiro como treinador, Frederico Varandas lamentou a derrota em Portimão por 4-2: “Perdemos porque fomos piores, não foi por causa da arbitragem ou do cansaço”. “E se queremos recuperar os quatro pontos para os líderes, temos de ser melhores em campo”, afirmou.

Quanto ao departamento médico, Frederico Varandas explicou que em novembro estará a 100% e sobre a auditoria realçou que em dezembro haverá os primeiros resultados. Sobre novas detenções na sequência do ataque a Alcochete, antes do final da época 2017/18, Varandas garantiu confiar na justiça.