O Nissan Leaf é o melhor veículo eléctrico à venda na Europa, pelo menos para já, oferecendo uma relação espaço/sofisticação/potência e autonomia que o torna um adversário respeitado. Não é por isso de estranhar que seja o mais vendido no Velho Continente, com os clientes a apreciarem as suas qualidades.

Os Leaf comercializados em solo europeu são produzidos na fábrica inglesa da marca japonesa e, desde o início, que a Nissan sempre anunciou  que o seu modelo eléctrico era capaz de “atingir 80% de carga em apenas 40 minutos”. Ora, bastou que três clientes apresentassem uma queixa à Advertising Standards Authority (ASA), por não conseguiram atingir esta rapidez no abastecimento de electricidade do seu carro, para que a ASA obrigasse a Nissan a retirar o anúncio.

Afirma a ASA que a publicidade ao Leaf “pode ser enganadora” em relação à rapidez no carregamento do carro eléctrico japonês. Segundo a autoridade da publicidade, não são especificadas de forma evidente as limitações, por exemplo, em matéria do tipo de carga e da temperatura da bateria, que podem alterar a celeridade com que se recarrega o acumulador. Isto apesar de a marca mencionar esses factos julgados preponderantes pela ASA, como nota de rodapé no seu site.

Apesar de lamentar a atitude da ASA, a Nissan tratou de alterar o anúncio do Leaf, onde agora já se pode ler que os utilizadores do modelo “podem carregar de 20% a 80% em cerca de 60 minutos num posto de carga rápida”. Uma alteração importante, tanto em termos de capacidade como de tempo. Mas se pensou que o problema estaria resolvido, cometeu o mesmo erro da Nissan, que foi de novo surpreendida com nova proibição do anúncio, por ainda não revelar de forma clara o grau de variabilidade do tempo de recarga em determinadas condições.

É certo que ao contrário dos abastecimentos de gasolina ou gasóleo, o recarregar da bateria depende da temperatura ambiente e da própria bateria, mas sobretudo do tipo de carregador (potência) a que está ligada. Mais, a operação é mais lenta quando o acumulador está quase vazio, ou quando está próximo dos 100%, sendo substancialmente mais rápida nos 60% intermédios, o que leva os fabricantes a anunciarem a rapidez da carga até 80%, partindo do princípio que a bateria não deve estar vazia, tanto mais que isso não lhe faz bem à longevidade.

Dito isto, a Nissan anuncia os tempos de recarga da mesma forma dos seus concorrentes, e juntar mais dados ao cálculo do tempo nessa operação pode baralhar mais do ajudar. O ideal seria que um organismo oficial determinasse como devem ser obtidos os tempos de carregamento – e já agora os dados de consumo também –, pois com o incremento da concorrência e sendo estes dois factores decisivos neste tipo de veículos, podem surgir fabricantes dispostos a algumas habilidades para anunciar valores mais apetecíveis.