Os líderes da UE reunidos esta quinta-feira em cimeira em Bruxelas abordaram o desaparecimento e presumível assassínio do jornalista saudita Jamal Khashoggi, com vários Estados-membros do bloco comunitário a instarem explicitamente a realização de uma investigação sobre o caso.

“Acredito que coincido com todos os meus colegas ao afirmar que esperamos da Arábia Saudita total transparência e esclarecimento”, assegurou o chanceler austríaco, Sebastian Kurz, cujo país ocupa este semestre a Presidência rotativa do Conselho da UE.

O chanceler da Áustria confirmou que o caso do jornalista saudita foi discutido na cimeira de líderes comunitários realizada hoje em Bruxelas, mas que os chefes de Estado e de Governo da UE não aprovaram quaisquer medidas sobre esta matéria.

O jornalista saudita Jamal Khashoggi, que estava exilado nos Estados Unidos desde 2017 e era um reconhecido crítico do poder em Riade, desapareceu no passado dia 02 de outubro depois de ter entrado no consulado saudita em Istambul, Turquia, para tratar de questões administrativas. O jornalista não foi visto desde então.

Na quarta-feira, um jornal turco pró-governamental revelou ter gravações de áudio realizadas no interior do consulado, avançando que Jamal Khashoggi, colaborador do jornal norte-americano The Washington Post, tinha sido torturado e desmembrado por agentes sauditas.

A Arábia Saudita nega qualquer envolvimento no desaparecimento do jornalista, adiantando que ele deixou a missão diplomática pelo próprio pé. No entanto, Riade não apresentou qualquer prova que sustente tal teoria.

Ainda em Bruxelas, Sebastian Kurz esclareceu que não foram discutidas eventuais sanções à Arábia Saudita porque não estava na agenda do encontro, mas admitiu ser “concebível que existam consequências” por parte da UE.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, foi um dos líderes europeus que falou sobre o caso do jornalista saudita.

Pedindo um esclarecimento dos factos, que classificou como “muito graves”, Macron afirmou “condenar em geral, e como sempre, qualquer ataque à liberdade de imprensa e dos jornalistas que denunciam e arriscam a vida em contextos tão incertos”.

O primeiro-ministro da Irlanda, Leo Varadkar, também pediu uma “investigação direta” dos factos.