“A Mulher”

Os actores, com Glenn Close à cabeça e à distância de todos os demais, são o atractivo desta história de paladar feminista, sobre um prestigiado  escritor americano, Joseph Castleman (Jonathan Pryce), que ganha o Nobel da Literatura em 1992 e vai a Estocolmo recebê-lo, levando consigo a mulher, Joan (Close, magnífica num papel todo ele em sugestão, transmitindo o que a sua personagem sente, reprime ou pensa com um mínimo de expressão). Joseph depende de Joan praticamente para tudo e está unido a ela não só pelos laços do matrimónio, mas também por um segredo relacionado com a sua brilhante carreira literária. Previsível e forçando um bocado a verosimilhança, “A Mulher” é realizado em piloto automático por Bjorn Runge, baseia-se num livro de Meg Wolitzer e conta ainda com Max Irons no filho do casal que também quer ser escritor mas sente o peso da sombra do pai, e Christian Slater no viscoso candidato a biógrafo de Castleman.

“Pedro e Inês”

A história do amor intemporal e transcendente de D. Pedro e D. Inês contada por António Ferreira, que explora aqui o mito inesiano lançando mão do livro “A Trança de Inês”, de Rosa Lobato Faria, entre o passado histórico, o presente e um futuro que correu mal à humanidade. Diogo Amaral e Joana de Verona interpretam os papéis principais nas três épocas e vários dos actores secundários repetem também as suas personagens. A falta de equilíbrio formal, narrativo e dramático entre os três tempos em que “Pedro e Inês” se multiplica compromete a coesão e a credibilidade do filme (o segmento do futuro distópico é particularmente débil) e a narração é insistentemente explicativa e muito solene e afectada. A tripla interpretação de Joana de Verona na Inês medieval, contemporânea e futura tem mais uniformidade do que a de Diogo Amaral, a cujo D. Pedro falta a dimensão tremenda que lhe valeu o cognome e a reputação histórica.

“Verão 1993”

O primeiro filme da catalã Carla Simón tem uma forte componente autobiográfica e centra-se em Frida, uma menina de seis anos que é orfã de pai, perde a mãe e tem que ir viver com os tios e a prima mais pequena, que moram no campo, longe da sua Barcelona natal e dos avós. Simón filma, ao longo do Verão de 1993, a adaptação da menina (que em grande parte foi também a sua) à vida com a sua nova família e ao novo lugar, e também a forma com os tios e a priminha encontram lugar para ela nos seus afectos, na sua casa e no seu dia-a-dia. “Verão 1933” é uma fita singela mas feita com delicadeza de sentimentos e capacidade de entendimento do comportamento infantil, que a realizadora leva a bom porto sem recorrer uma vez que seja a lugares-comuns melodramáticos ou a piedades emocionais, e contando com um punhado de actores, crescidos e miúdos, à altura do que lhes é pedido.

“O Primeiro Homem na Lua”

Damien Chazelle pegou na biografia de Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar a Lua, a 20 de Julho de 1969, escrita por James R. Hansen, e desbastou-a abundantemente para rodar este filme em que o histórico feito da Apollo XI é mediado pelo ponto de vista e condicionado pela personalidade e pelas idiossincrasias daquele, interpretado por Ryan Gosling. “O Primeiro Homem na Lua” é o avesso de um dos melhores filmes sobre a corrida ao espaço, “Os Eleitos”, de Philip Kaufman (1983), baseado no livro The Right Stuff, de Tom Wolfe, sobre os astronautas do projecto Mercúrio. Onde este é épico, exuberante, entusiasta, patriótico e tem uma série de personagens, a fita de Chazelle é intimista, reservada, contida, parca no agitar de bandeiras e centrada em Armstrong. Também com Claire Foy no papel da mulher do astronauta.  “O Primeiro Homem na Lua” foi escolhido como filme da semana pelo Observador, e pode ler a crítica aqui.