O primeiro-ministro timorense apelou esta quinta-feira à população da região de Ermera para que não impeça o processo de reabilitação de uma estrada local, insistindo que o projeto é essencial para o desenvolvimento local.

Os comentários de Taur Matan Ruak foram feitos aos jornalistas depois da reunião semanal que manteve com o Presidente da República, Francisco Guterres Lu-Olo, esta quinta-feira no Palácio Presidencial em Díli. O chefe do Governo recordou que projetos de infraestruturas, como estradas e rede elétrica, são essenciais para as populações.

As declarações de Matan Ruak surgem depois de a Fretilin, na oposição em Timor-Leste, ter criticado tentativas de um grupo travar o processo, já bastante atrasado, de reabilitação de uma estrada em Ermera, a sul de Díli, considerando a obra crucial para as populações da zona.

“A estrada de Ermera a Fatubessi é muito importante para as comunidades dessas áreas, e ajudará no desenvolvimento económico da população de Ermera, abrindo acesso ao transporte, aos mercados, e às atividades comunitárias”, afirmou o deputado António dos Santos.

“Não podemos continuar com a estrada sem condições. Não admito a quem seja que impeça um projeto importante como este”, referiu o deputado da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin).

Em comunicado, a Fretilin denunciou que “técnicos de construção apresentaram queixas relacionadas com agressões físicas por algumas pessoas em Ermera com o objetivo de impedirem o trabalho” na obra.

Os comentários surgem depois de a televisão publica timorense, a RTTL, ter noticiado que um grupo que se identifica como “veteranos e juventude” do município de Ermera questionou a obra, financiada pela União Europeia e executada pelo Banco Asiático do Desenvolvimento (ADB, na sua sigla em inglês).

Em causa está o projeto, no valor de 20,5 milhões de euros, que inclui a reabilitação de duas estradas – a C16/17-P1 entre Aipelo e Bazartete e a C13 entre Ermera e Fatubesse – a sudeste da capital -, essenciais para o desenvolvimento da região.

O lançamento da primeira pedra da obra foi feito na semana passada numa cerimónia em que participaram, entre outros, o ministro das Obras Públicas, Salvador Pires, o diretor do ADB em Timor-Leste, Paolo Spantigati, e o embaixador da UE em Díli, Alexandre Leitão.

Joaquim Menezes, porta-voz do grupo de Ermera, critica a forma como o projeto está a ser implementado pela empresa internacional que está a executar a obra, sem apresentar motivos concretos para as críticas.

Afirmam ainda, segundo a RTTL, que o grupo “não quer impedir o desenvolvimento”, mas que “projetos a implementar no município devem ser coordenados com a comunidade”.

António dos Santos contesta a posição do grupo, apelando à comunidade local para que se una em torno de projetos como este, destinados ao desenvolvimento regional, rejeitando atos que “tentem impedir as atividades de desenvolvimento”.

“Eu sou veterano da Região IV e não reconheço estas pessoas. Os veteranos encontram-se unidos no apoio ao desenvolvimento, para retirar o povo da pobreza e miséria, e não vamos impedir o desenvolvimento,” disse.