Cancro

Espanha pede ao YouTube para eliminar “fake news” sobre o cancro, mas site diz que não pode

Três instituições espanholas pediram ao YouTube para retirar 14 vídeos com informações falsas sobre tratamentos para o cancro. Mas site diz que não pode porque "cumprem a lei e a política" da página.

YouTube

Abra a página inicial do YouTube. Depois escreva “cura” e “cancro” no motor de busca. Clique na tecla “enter”. Um novo estudo espanhol diz que 74% dos primeiros 50 resultados que lhe apareceram com essa pesquisa não têm qualquer fundamento científico. São “fake news”, denunciam elas, que somam 25 milhões de visualizações em páginas com 2,5 milhões de subscritores.

É por isso que o Conselho de Audiovisual da Catalunha e outras duas instituições — o Departamento de Saúde e a Associação Médica de Barcelona —  pediram a eliminação de 14 vídeos do YouTube que prometem erradicar miraculosamente o cancro “com soluções sem nenhuma base científica” e que “desacreditam os tratamentos dos profissionais da medicina, em especial da quimioterapia”, avisam.

Esse pedido foi entregue a 5 de outubro, mas ao fim de duas semanas os vídeos continuam na plataforma. Porque, segundo o próprio YouTube, “eles cumprem a lei e a política” do site: “Quando um vídeo é denunciado e viola os nossos Termos e Condições, retiramo-lo. Quando não os viola permanece na plataforma”, disse uma porta-voz.

Só que três quartos dos resultados que surgem no YouTube quando se pesquisam por “cura do cancro” são “desinformação sobre a doença, uma vez que defendem terapias sem uma base científica reconhecida e são conteúdos que podem ser falsos, errado ou enganoso”. Nas contas dos três autores do estudo, apenas 14% são “conteúdos informativos sobre o cancro” e 12% correspondem a “vídeos com referências pontuais ou circunstanciais à referida doença”.

Os 14 vídeos que as três instituições pediram ao YouTube para eliminar foram escolhidos entre centenas porque “têm em comum uma elevada aceitação por parte do público, que valoriza os seus conteúdos”. Em todos eles diz-se que “a quimioterapia provoca mais cancro”, que é “um veneno” e que “serve para matar as pessoas que deviam estar a ser curadas”. Em alguns afirma-se que a quimioterapia provoca um crescimento mais rápido dos tumores porque as células se reproduzem mais rapidamente. Noutros, sugere-se que uma semente de maçã é tudo o que é preciso para curar o cancro. Num vídeo diz-se que um sumo de beterraba salvou 45 mil pessoas em 42 horas.  Noutro vídeo, uma receita de gengibre e mel supostamente erradica o cancro dos ovários, da próstata e do cólon.

Analisando as reações a estes vídeos, o estudo descobriu que, em muitos deles, mais de 90% dos internautas dizia “gostar muito” do conteúdo. Isso, explicam as instituições, deve-se em parte à linguagem usada nas produções: “Os vídeos, para tornar os conteúdos confiáveis, recorrem a um discurso supostamente científico, mencionando alegados estudos sem citar a fonte ou a data e referindo-se a supostos médicos. Esses vídeos também incluem supostos testemunhos que afirmam ter sido curados do cancro como resultado do tratamento proposto”. Muitos deles aproveitam a mensagem para depois vender esses produtos milagrosos.

Roger Loppacher, presidente do Conselho de Audiovisual da Catalunha, disse que retirar estes vídeos da Internet é imperativo porque “podem ter um efeito muito negativo na saúde das pessoas”: “Muitas destas pessoas podem estar a passar por situações muito difíceis, já que aqueles que podem procurar informações sobre o tratamento do cancro podem ser pessoas que estão a sofrer com a doença e, portanto, estão numa situação de certa vulnerabilidade ou desespero”.

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