A Nissan é muitas vezes sinónimo de SUV, especialmente no segmento médio, que criou com a introdução do Qashqai. O popular modelo é desde sempre líder nas vendas à escala europeia e, ainda com maior vantagem, em Portugal, o que não impede a marca nipónica de não perder uma oportunidade de melhorar o seu veículo, tanto mais que a concorrência aperta.

Devido à entrada em vigor em Setembro do WLTP, o novo sistema de cálculo para os consumos – e respectivas emissões de dióxido de carbono (CO2) –, bastante mais próximo da realidade do que o antigo e ultrapassado NEDC, a Nissan viu-se obrigada a abrir mão do motor 1.2 DIG-T a gasolina, com 115 cv, precisamente o que animava a versão mais acessível do Qashqai. E ainda bem, pois assim a marca teve uma excelente ‘desculpa’ para trocá-lo pelo 1.3 DIG-T. E se pensa que apenas ganhou 100 cm3, está redondamente enganado.

O 1.3 é um motor novo, que deriva do pequeno 1.0 Turbo com três cilindros que o grupo Renault-Nissan-Mitsubishi utiliza e que foi concebido como unidade modular, a que se pode juntar ou retirar o quarto cilindro. Esta versão 1.3, surge no Qashqai com dois níveis de potência, com 140 e 160 cv, variando apenas a pressão de turbo e pouco mais, com o novo motor do SUV japonês a ser idêntico ao 1.3 que equipa os Renault, como o Scénic, e o Classe A da Mercedes, apesar de a marca alemã preferir chamá-lo de 1.4 (embora tenha apenas 1.332 cc).

Pequeno motor com herança do GT-R

O novo motor 1.3 DIG-T pode ser pequeno, em matéria de capacidade, mas tem tudo para ser um grande motor. Começa por usar o mesmo tratamento no interior dos cilindros, uma espécie de revestimento idêntico ao que a Nissan utiliza no seu GT-R e que se destina a reduzir a fricção e, com ela, as perdas por aquecimento e até o desgaste. Perseguindo a mesma finalidade, monta rolamentos nos balanceiros das árvores de cames, uma injecção directa de gasolina com mais 25% de pressão, para atomizar melhor a mistura, e adopta um desenho da câmara de combustão em delta, que segundo os técnicos assegura vantagens na queima e não complica a montagem dos injectores (que também passam a ter mais orifícios, mas mais pequenos) em posição vertical no centro. Surgem dispositivos variadores de fase nas árvores de cames da admissão e escape, para conseguir que o motor seja simultaneamente suave e progressivo a baixa rotação, para depois ser mais potente a alto regime. Como não podia deixar de ser, tal como acontece em todos os novos motores turbo a gasolina devido ao WLTP, também este está equipado com filtro de partículas, acoplado ao catalisador de três vias já existente. Para terminar, o turbocompressor monta uma wastegate controlada electronicamente, de forma a modular de forma mais eficaz e rápida a pressão do turbo.

Um passo em frente em potência e consumos

O 1.3 DIG-T mais popular promete ser a versão de 140 cv, que substitui o 1.2 DIG-T de 115 cv, mas nem só de mais potência vive a nova unidade, ainda que forneça mais 25 cv e 240 Nm, face aos 190 Nm do 1.2. O consumo caiu igualmente, isto porque o motor de 115 cv anunciava uma média de 5,6 litros/100 km segundo o NEDC (convertido), enquanto o novo 1.3 reivindica 5,3 litros, mas já em WLTP, o que em termos práticos é um valor bastante inferior, em condições reais de utilização. Tudo isto com o novo motor a permitir atingir 193 km/h, em vez de 185 km/h.

Se o 1.3 DIG-T de 140 cv substitui o antigo 1.2, a versão de 160 cv visa tomar o lugar do 1.6 DIG-T de 163 cv. Apesar de ter menos 300 cc, perde apenas 3 cv, mas ganha 20 Nm de torque (260 contra 240 Nm), reivindicando os mesmos 200 km/h de velocidade máxima e 8,9 segundos de 0-100 km/h. Contudo, em matéria de consumos, o novo 1.3 de 160 cv anuncia médias em WLTP de 5,3 litros (e 121g de CO2), contra 5,8 litros e 134g do antigo 1.6.

O novo motor permite ainda ao Qashqai trocar a antiga caixa CVT, de variação contínua, por uma nova DCT de dupla embraiagem de sete velocidades, com embraiagem húmida, similar à que a Renault utiliza no Talisman. Não só a nova DCT é mais rápida, mais agradável de utilizar e com maior capacidade de reboque, como é mais barata, tendo um custo adicional de 1.500€, face aos 2.000€ da CVT.

Mais vantagens com o mesmo preço

O Qashqai com o novo motor 1.3 DIG-T, com 140 e 160 cv, já está em Portugal, com preços em linha com as anteriores versões, com mais consumos e menos potência ou força. Apesar de montar um sistema de infoentretenimento mais evoluído, entre outras melhorias, o Qashqai 1.3 DIG-T de 140 cv vai arrancar nos 26.900€, para a versão Acenta (estão igualmente disponíveis os níveis de equipamento Visia, N-Connecta e Tekna), ou seja, apenas 600€ acima do mesmo modelo equipado com o anterior 1.2.

Se a versão com 140 cv é uma alternativa a considerar, o Qashqai de 160 cv parece de longe uma proposta melhor, pois por apenas mais 1.000€, oferece os mesmos consumos e muito mais gozo de condução, em acelerações e velocidade máxima, além de dispor de mais força a todos os regimes.

Segundo o italiano Antonio Melica, o director da Nissan para Portugal, as duas versões do novo motor 1.3 DIG-T vão “permitir aumentar o volume de vendas do Qashqai com motorização a gasolina, que já atinge 50% no canal de clientes particulares”. Melica acredita ainda que, entre as versões de 140 e 160 cv, “deverá existir uma distribuição de 50% para cada uma delas, ao contrário do que acontecia até aqui entre os motores 1.2 e 1.6”.