Uma ciclista norte-americana classificou como “injusto” o resultado de uma prova na qual ficou em terceiro lugar e que foi vencida por uma mulher transgénero canadiana. Jennifer Wagner-Assali, que levou a medalha de bronze na prova do campeonato mundial de ciclismo em pista coberta, escreveu no Twitter que o resultado, “definitivamente, não é justo”.

A mensagem de Wagner-Assali surgiu em resposta a um tweet da colunista britânica Katie Hopkins, no qual se lia: “Para clarificar, este era o campeonato mundial de mulheres. Repito. De mulheres. Parabéns aos rostos corajosos de prata e bronze. O mundo está tomado por uma loucura febril”. A ciclista respondeu: “Eu fui a ciclista que ficou em terceiro lugar. Definitivamente, não é justo”.

Também no Twitter, Rachel McKinnon, a transgénero canadiana que venceu a prova, tinha-se orgulhado de ser “a primeira mulher ‘trans’ a ser campeã mundial num evento individual”. Depois de Jennifer Wagner-Assali ter feito as acusações, McKinnon defendeu-se, afirmando que há dois pesos e duas medidas e considerando a norte-americana “transfóbica”.

“Quando ganhamos, é porque somos transgénero e é injusto; quando perdemos, ninguém repara (e é porque não somos assim tão bons, de qualquer modo). Até quando é o mesmo atleta. Isto parece transfobia”, escreveu Rachel McKinnon no Twitter.

Mais tarde, Jennifer Wagner-Assali pediu desculpa à vencedora e admitiu que o seu comentário tinha sido inflamados pela “frustração”. “Peço desculpa por não te ter dado os parabéns no dia da corrida. Espero que aceites com uns dias de atraso. Parabéns e aproveita a tua época de descanso”, escreveu a norte-americana. Mas McKinnon não aceitou o pedido de desculpas.

“Não é claro para mim que a Jennifer tenha mudado de ideias quanto a ser justo as mulheres ‘trans’ competirem. Não é meramente ‘inflamatório’ proclamar que é injusto as mulheres ‘trans’ competirem: é transfóbico e cria um ambiente hostil”, escreveu McKinnon, argumentando que “é por isso que as desculpas não são aceites: ela ainda pensa o que disse”.

Segundo o tabloide britânico The Sun, Rachel McKinnon tem 36 anos e é uma professora universitária que nasceu homem, mas que se identifica como mulher.