Tesla

Juiz aprovou acordo com SEC. Musk reforçou posição

O juiz aprovou o acordo SEC-Tesla e tanto a empresa como o seu CEO, Elon Musk, estão fora de qualquer suspeita. Tiveram ambos de pagar 20 milhões, mas como as acções começaram a subir, já recuperaram.

Depois da Securities and Exchange Commission (SEC) ter chegado a acordo com a Tesla e com Elon Musk, após o CEO ter cometido o erro de anunciar um acordo (para retirar a Tesla da bolsa) que ainda não estava assinado, eis que o juiz ratificou o acordo.

A investigação da SEC, que corresponde à nossa CMVM, provou que nem a Tesla nem Musk transaccionaram qualquer acção durante o período do anúncio, pelo que não lucraram com o abuso que, à luz da lei, foi efectivamente cometido pelo CEO do construtor americano de veículos eléctricos. Por isso mesmo, a penalidade não passou de um mero ‘ralhete’, pois a multa de 20 milhões (à Tesla) e a Musk, como o CEO, corresponde ao pagamento de 60 cêntimos a quem receba o vencimento mínimo. E a prova é que Musk, nos dias seguintes a ter pago a coima de 20 milhões de dólares e já que estava com o livro de cheques na mão, aproveitou para adquirir mais 20 milhões de acções, o que atinge um valor de 5,2 mil milhões de dólares. Ou seja, 260 vezes o valor da multa.

Uma mão à frente e outra atrás. Com 2.000$ no bolso

Há quem deteste Elon Musk, seja porque está contra os veículos eléctricos ou porque despreza tudo o que é americano. O que não deixa de ser curioso, pois Musk é emigrante sul-africano e chegou aos EUA aos 17 anos de mochila e com apenas 2.000 dólares no bolso (veja a história aqui). Hoje, com 47 anos, vale 22 mil milhões, lidera a SpaceX (que é privada, mas onde Musk controla 54%) e a Tesla (em bolsa, de que detém 20%).

No início de 2018, Musk fez um acordo com a Tesla, que lhe paga um vencimento de apenas 37.000 dólares (tornando-o de longe o CEO mais mal pago da história deste tipo de empresas nos EUA), onde ficou estipulado que ou ele eleva o valor da Tesla de 59 mil milhões para 650 mil milhões, julgado por muitos analistas uma impossibilidade, o que renderá milhares de milhões para a sua conta pessoal, ou a Tesla não lhe pagará nada. Parece excessivo para uns e até idiota para outros, mas isto é Musk, que adora correr riscos, depois de efectuar os seus cálculos e achar que tem uma probabilidade aceitável (segundo ele) de ter sucesso.

Musk continua CEO, mas não chairman. É grave?

Nem por isso. Ser “apenas” o CEO, mas ter todos os nove elementos da administração do seu lado, uma vez que estão todos convencidos que, sem ele, não há Tesla, limita drasticamente o poder do novo chairman, ou presidente do conselho de administração. Goste-se ou não de Elon, enquanto a Tesla continuar a crescer  – e ultimamente tem crescido a bom ritmo – Musk está garantido.

A última prova do peso que o CEO tem na empresa surgiu quando colocou a administração entre a espada e a parede, ameaçando que ou o apoiavam decididamente no inquérito liderado pelo SEC, ou ele abandonava a companhia, o que levou o board a “sair à rua” em bloco. Sim, porque parece que ninguém duvida que, sem ele, não há Tesla. Isto ao contrário do que acontece com excelentes CEO de outras companhias automóveis, como Dieter Zetsche na Daimler, ou Herbert Diess no Grupo Volkswagen, que quando saírem do seu posto (e Dieter vai sair já em Janeiro) continua tudo business as usual.

Em qualquer outra empresa, do ramo automóvel e não só, se outro CEO tivesse causado os calafrios que Musk já provocou à Tesla, há muito que tinham corrido com ele, mesmo a deter 1/5 da companhia. Provavelmente, até com uma acção judicial, visando uma compensação pelos danos. Mas Musk não só continua a ser o ‘menino bonito’ do board, como dos accionistas de referência, sendo que ele detém 20%.

Mas vai mesmo haver diferenças?

Vai. Musk tem de abandonar a irreverência típica de um empresário que criou uma startup de sucesso e passar a ser um CEO mais responsável e maduro, pois quando se lidera uma empresa cotada em bolsa, com o cargo vem uma série de obrigações – e uma delas é nunca se colocar numa situação que se possa reflectir negativamente na empresa.

Pode ser preocupante o facto de Elon Musk ter decidido dar uma última “canelada” na SEC, chamando-lhes Shortseller Enrichement Commission – sem que tivesse havido uma reacção – depois de ele e a Tesla terem chegado a acordo com o organismo que controla a bolsa, sem nunca terem sido obrigados a assumir a culpa ou de terem feito qualquer acção negativa. Mas tudo indica que a presença do CEO no Twitter diminuiu e (espera-se) que a presença em programas estranhos onde se fuma erva (o que é legal na Califórnia, mas não fica bem no líder de uma empresa que vale 59 mil milhões de dólares) também.

O novo chairman, mesmo que se assuma como independente como a SEC deseja, fará sempre o que o board decida em conjunto, ou seja, Musk. Pode é controlar os danos provocados por um CEO que é demasiado enfant terrible para o gosto de muitos. Mas não será de um dia para o outro que se convence um homem habituado a andar de ‘rédea solta’ a comportar-se de modo formal. E não é fácil contrariar a sua forma de estar e de ser, pelo menos enquanto a produção do Model 3 continuar a crescer e já vai nos 7.000 carros por semana, pelo que os 10.000 (que são o objectivo) já não estão longe. E os lucros operacionais também não.

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