O comissário europeu dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, disse esta segunda-feira que o orçamento italiano não respeita as regras da Zona Euro, mas que vai ser mantido um “diálogo construtivo” porque não é desejável uma crise com o governo de Roma. Moscovici, numa entrevista à rádio France Inter explicou que após a visita a Roma, durante o fim de semana, espera que o executivo italiano cumpra o prazo que ficou estabelecido — meio dia de esta segunda-feira – e forneça as respostas que foram pedidas.

A poucas horas do prazo estabelecido pelo comissário europeu para que o governo de Roma se pronuncie, a Bolsa de Milão abriu em alta, a subir 1,72%, situando-se nos 19.407,91 pontos,

Sobre a possibilidade de Bruxelas interferir no orçamento, Moscovici disse na mesma entrevista que o “máximo” que pode ser feito é “pedir a Itália que volte a apresentar um outro orçamento”. “Mesmo isso não seria o fim da história”, afirmou sublinhando que o atual orçamento vai aumentar o défice estrutural em 0,8 pontos em vez de diminuir 0,6 pontos.

Moscovici referiu-se também aos riscos da dívida pública, que já atingiu os 132% do Produto Interno Bruto (PIB), e que “pode aumentar” porque as hipóteses de crescimento não são credíveis. O comissário disse que não gosta da expressão “orçamento do povo” utilizada pelo governo italiano porque “um orçamento que aumenta a dívida não é um orçamento para o povo”. Mesmo assim, insistiu que as políticas sociais defendidas pelos responsáveis italianos “são compatíveis” com o respeito pelas regras da Zona Euro.

Questionado sobre se a Comissão Europeia também enviou cartas a França, assim como a seis países, por causa dos respetivos orçamentos, Moscovici afirmou que as situações “não são comparáveis”.