O Euro NCAP, consórcio europeu que se debruça sobre a segurança oferecida, em caso de acidente, ao condutor e ocupantes, dos novos modelos automóveis em comercialização no Velho Continente, entendeu que deveria começar a testar (também) os chamados sistemas de assistência à condução. Isto porque, embora ainda longe da plena autonomia, já está disponível no mercado uma série de modelos com funcionalidades que, quando combinadas, oferecem ao condutor a tranquilidade de não ter de assumir o volante por um determinado período de tempo – até porque a legislação assim o obriga.

Sucede que, na perspectiva do Euro NCAP, uma “avançada” assistência à condução pode induzir uma falsa expectativa no condutor, colocando-o (a ele e aos ocupantes do veículo, se assim for) em risco. Esta foi uma das conclusões a que chegou o organismo independente, após ter testado 10 modelos equipados com aquilo que, tecnicamente, se define como condução semiautónoma e que, na prática, não é mais do que a conjugação de três ajudas à condução: limitador de velocidade, cruise control adaptativo e assistente de manutenção na faixa de rodagem com correcção automática da direcção.

Depois de ter submetido uma dezena de novos modelos equipados com estes sistemas, o Euro NCAP foi taxativo ao concluir que “os automóveis, mesmo aqueles que estão dotados com sistemas avançados de assistência, precisam ‘sempre’ de um condutor atento e vigilante atrás do volante. É fundamental que os sistemas de segurança activa e passiva de última geração continuem disponíveis como um apoio vital”, realçou o secretário-geral do Euro NCAP, Michiel van Ratingen.

Audi A6, BMW Série 5, DS 7 Crossback, Ford Focus, Hyundai Nexo, Mercedes-Benz Classe C, Nissan Leaf, Tesla Model S, Toyota Corolla e Volvo V60 foram os modelos testados, tendo o Euro NCAP concluído que as soluções mais rudimentares são as oferecidas pela BMW e pela DS. Curiosamente, duas marcas com um posicionamento premium.

No extremo oposto encontra-se a Tesla, cujo (tão falado) Autopilot mereceu dos especialistas em segurança um alerta, com o Euro NCAP a avisar que a marca californiana de veículos eléctricos “arrisca”, revelando uma confiança excessiva ao permitir que os “comandos da condução fiquem entregues ao veículo”. Recorde-se que alguns Tesla já se viram envolvidos em acidentes, mas ainda nenhum em que as investigações desencadeadas tenham concluído que a culpa era do sistema de condução semiautónoma.

Os restantes modelos visados na ronda de provas do Euro NCAP – Audi, Ford, Hyundai, Mercedes, Toyota, Nissan e Volvo – não impressionaram. Nem pela positiva, nem pela negativa, tendo os técnicos colocado os respectivos sistemas de assistência num nível intermédio, isto é, constituem-se como ajudas à condução que carecem… da ajuda do condutor.

Veja aqui o desempenho de cada um deles: