O ex-diretor da Polícia Judiciária (PJ) Militar manteve-se em silêncio depois de ser chamado uma segunda vez a prestar declarações no âmbito da Operação Húbris. À saída do Departamento Central de Investigação e Ação Penal — e ao mesmo tempo que o coronel Luís Vieira saía na carrinha celular para a prisão de Tomar — o advogado Rui Baleizão, disse que essa será a estratégia a seguir. “O processo é longo e o silêncio é a melhor resposta às questões que pudessem ser colocadas, o tempo vai repor a verdade”, disse.

Foi uma conversa curta, aquela que a defesa de Luís Augusto Vieira manteve com os procuradores do processo. Cerca de uma hora e meia depois de entrarem no edifício, os advogados Rui Baleizão e Manuel Ferrador voltavam a sair. Baleizão, antigo juiz militar, deixou, ainda assim, breves declarações sobre a “intoxicação” que tem assistido em todo o caso.

O advogado referia-se a “declarações” mas também a “tudo o que se v|e escrito sobre eventuais peças processuais, que na realidade saem cá para fora, algumas coincidentes, outras não”, e que depois dão lugar a “juízos de valor, condenações na praça pública” num caso em que “a presunção de inocência não está a ser respeitada”.

Luís Augusto Vieira é, até ao momento, o único militar em prisão preventiva. Além do ex-diretor da Pj Militar, também João Paulino, o único civil detido no âmbito da Operação Húbris, também foi alvo da medida de coação mais gravosa. Ainda assim, a defesa acredita que “ tempo vai repor a verdade”.

O coronel esteve no DCIAP uma semana depois de o major Vasco Brazão ter sido ouvido pelos procuradores do processo. Nesse outro interrogatório, o antigo porta-voz da PJ Militar esteve sete horas reunido com a investigação e entregou a sua versão de um memorando entregue ao ex-chefe de gabinete do ex-ministro da Defesa. À saída, o advogado Ricardo Sá Fernandes dizia que há “apenas um memorando” e, portanto, mantinha-se a ideia de que o documento põe em cheque o ex-ministro Azeredo Lopes.

O advogado Rui Baleizão confirmou esta terça-feira ter tido “acesso aos novos factos que existem e às questões que seriam colocadas sobre os mesmos”, mas a decisão manteve-se inalterada: “Não prestar declarações.”