China

Câmaras que vigiam bocejos e outras curiosidades da (nova) maior ponte do mundo

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A ponte que liga as regiões de Macau e Hong Kong e a cidade de Zhuhai não é só a maior do mundo: tem inovações, como câmaras que vigiam o ritmo cardíaco ou os bocejos dos condutores, e polémicas.

ALEX HOFFORD/EPA

A maior ponte do mundo, que liga as regiões administrativas especiais de Macau e Hong Kong e a cidade chinesa de Zhuhai, foi inaugurada esta terça-feira, em cerimónia que vai decorrer no Edifício do Posto Fronteiriço de Zhuhai. A abertura da ponte à circulação está marcada para as 9h locais de quarta-feira (2h em Lisboa).

Após nove anos de construção, a infraestrutura será inaugurada com uma cerimónia em Zhuhai, cidade adjacente à Região Administrativa Especial de Macau, pelo Presidente chinês, Xi Jinping, que deverá fazer a travessia na sua limusina à prova de bala, segundo avançou a imprensa de Hong Kong.

Trata-se da maior ponte do mundo, sobre o mar, com uma estrutura principal de 29,6 quilómetros – uma secção em ponte de 22,9 quilómetros e um túnel subaquático de 6,7 quilómetros -, com a extensão total a rondar os 55 quilómetros. Mas não é só a extensão que a torna única no mundo. Há uma série de inovações introduzidas durante a sua construção que a tornam também numa das mais peculiares travessias do planeta.

Entre as várias novidades introduzidas, a ponte vai ter câmaras que controlam se um condutor boceja muito ou pouco: se o fizer pelo menos três vezes em 20 segundos, as câmaras emitem um alarme para averiguar se o automobilista está mesmo em condições de manter a condução. Da mesma forma, haverá sensores que monitorizam a pressão e ritmo cardíaco dos condutores, sendo que essa informação será enviada para o centro de controlo da ponte, conta o jornal The Guardian.

Além da segurança dos próprios cidadãos, o acesso ao tabuleiro da ponte também será fortemente condicionado: quem partir de Hong Kong, por exemplo, vai precisar de uma autorização especial para fazer a travessia e há uma série de credenciais de longa duração mais específicas para atribuir a grupos de cidadãos que cumpram uma série de critérios exigidos pelo governo chinês. Para quem não dispõe de ‘luz verde’ para usar a ponte, há autocarros específicos reservados. Uma decisão que está a gerar críticas por se tratar de uma obra financiada por dinheiro dos contribuintes, mas à a qual nem todos têm acesso livre.

Pelo meio das novidades, surgem também algumas polémicas e situações quase caricatas. Uma delas prende-se com o lado da estrada em que se deve conduzir. É que, para os condutores em Macau e Hong Kong, o trânsito segue pela esquerda, enquanto no restante território da China conduz-se pela direita — isso pode gerar alguns transtornos na hora de se cruzarem os dois sentidos na ponte. Estão ainda a ser estudadas soluções para este problema, como criar um ponto em que o tabuleiro se torna móvel para permitir  a alternância dos carros ou fazer uma espécie de “desvio em laço” que permite a troca.

Segundo estimativas do jornal de Hong Kong South China Morning Post, a ponte custou aos três governos cerca de 1,9 mil milhões de euros.

Presidente chinês inaugura a Ponte

A abertura da travessia chegou a estar prevista para 2016, mas vários problemas, como acidentes de trabalho, uma investigação de corrupção, obstáculos técnicos e derrapagens orçamentais obrigaram a um adiamento da inauguração. Para as autoridades chinesas, a ponte é um marco do projeto de integração regional da Grande Baía, que visa criar uma metrópole mundial a partir dos territórios de Hong Kong, Macau e outras cidades da província de Guangdong, como Cantão e Shenzhen.

O Presidente da China, Xi Jinping, inaugurou esta terça-feira a ponte que liga Hong Kong, Zhuhai e Macau, considerada a maior travessia marítima do mundo, após nove anos de construção. “Eu abro oficialmente a ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau”, declarou o chefe de Estado chinês, numa curta intervenção durante a cerimónia de inauguração da ponte, na cidade chinesa de Zhuhai, adjacente a Macau.

Presidente chinês Xi Jinping na cerimónia de inauguração oficial da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau Bridge, esta terça-feira, no terminal do porto de Zhuhai (foto de Fred Dufour/AFP/Getty Images)

Antes do discurso de Xi Jinping, a chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, teceu palavras de agradecimento ao líder chinês por ter inaugurado a ponte. Na presença de mais de 700 convidados, o vice-primeiro ministro da China sublinhou que esta mega infraestrutura vai possibilitar mais atividades comerciais e a aproximação económica entre a China e a antiga colónia britânica.

Na segunda-feira, o chefe do Governo de Macau tinha afirmado que o território “vê com bons olhos a abertura oficial da ponte e congratula-se pela conclusão da obra”, cuja abertura à circulação está marcada para quarta-feira. Fernando Chui Sai On indicou que Macau está preparado “para a abertura oficial da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau” em termos de segurança e transportes.

A ponte é um marco do projeto de integração regional da Grande Baía, que visa criar uma metrópole mundial a partir dos territórios de Hong Kong, Macau e nove localidades da província chinesa de Guangdong (Cantão, Shenzhen, Zhuhai, Foshan, Huizhou, Dongguan, Zhongshan, Jiangmen e Zhaoqing).

A estrutura principal mede 29,6 quilómetros, com uma secção em ponte de 22,9 quilómetros e um túnel subaquático de 6,7 quilómetros, numa extensão total de 55 quilómetros. A construção começou em 2009 e previa-se a abertura para 2016, mas vários problemas, como acidentes de trabalho, uma investigação de corrupção, obstáculos técnicos e derrapagens orçamentais obrigaram a um adiamento da inauguração.

A ponte, que não vai ser de livre circulação (sujeita a quotas), custou aos três governos cerca de 1,9 mil milhões de euros, de acordo com o South China Morning Post. Vários observadores consideraram que o objetivo desta ponte, assim como uma nova linha ferroviária de alta velocidade para o interior da China inaugurada a 22 de setembro, é aumentar o controlo da China sob Hong Kong, que tal como Macau, goza de autonomia alargada de liberdade de expressão e poder judicial independente.

A nova linha ferroviária de alta velocidade para o interior da China vai reduzir consideravelmente o tempo de viagem entre os dois territórios, sendo que parte da estação, situada em Hong Kong, fica sob jurisdição chinesa. As novas infraestruturas custaram cerca de 10 mil milhões de dólares (8,5 mil milhões de euros) e as autoridades estimaram que a capacidade de transporte diário é superior a 80 mil passageiros entre o centro financeiro asiático de sete milhões de habitantes e o centro industrial vizinho da província de Guangdong.

O comboio vai de Hong Kong para Shenzhen em apenas 14 minutos, sendo que o anterior demorava quase uma hora a percorrer os 26 quilómetros que separam os dois territórios. Já para a capital de Guangdong, Cantão, os passageiros vão demorar pouco mais de meia hora, cerca de 90 minutos mais rápido que o anterior. A transferência da soberania britânica de Hong Kong para a China ocorreu a 01 de julho de 1997. Pequim garantiu, tal como em Macau, o princípio “um país, dois sistemas” e um período de transição de 50 anos.

“A própria ponte vai ser uma atração turística”

A diretora dos Serviços de Turismo de Macau garantiu que a maior travessia marítima do mundo também vai assumir-se como uma atração para os viajantes. “A própria ponte vai ser uma atração turística, para os turistas tirarem fotografias e para a atravessarem”, afirmou Maria Helena de Senna Fernandes, durante uma entrevista conjunta organizada no âmbito do Fórum de Economia de Turismo Global que teve hoje início em Macau e termina na quarta-feira.

Este é o tempo para capitalizar oportunidades para Macau”, tanto no comércio como no turismo, defendeu a responsável, poucas horas depois de ter sido inaugurada a mega ponte.

Para Senna Fernandes, este é um desafio para o turismo, mas também para outros setores da economia de Macau. Com a mega ponte, agora inaugurada, e perante o projeto da Grande Baía, “vamos ver como as empresas chinesas vão encarar as oportunidades, bem como as empresas de Macau”, afirmou.

Jornalistas num dos acessos da ponte têm sido constantes nos últimos dias antes da abertura da ponte ao trânsito (foto de Anthony Wallace / AFP)

O Fórum de Economia de Turismo Global vai debater “o impacto da cooperação estratégica de turismo China-União Europeia”, segundo a organização. A sétima edição do evento conta com mais de um milhar de participantes e reúne autoridades e líderes de empresas privadas de vários países do mundo, num encontro em que a secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, é um dos oradores convidados.

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