O principal dirigente da oposição no Zimbabué, Nelson Chamisa, pediu esta terça-feira a formação de um Governo de transição, com caráter de urgência, para resolver a crise política e económica naquele país africano.

Nelson Chamisa – rival do Presidente do Zimbabué, Emmerson Mnangagwa, nas últimas eleições presidenciais – sublinhou a necessidade de “uma autoridade de transição nacional, de maneira a que se possa resolver esta crise”.

“A primeira coisa a fazer por este país é o compromisso sobre o caminho de um diálogo político”, disse Chamisa, líder do Movimento para a Mudança Democrática, em conferência de imprensa, em Harare, capital do Zimbabué.

O opositor de Mnangagwa, eleito Presidente em novembro do ano passado, afirmou que se encontrou com responsáveis religiosos, que reclamaram a abertura de um diálogo político, porém frisou a indisponibilidade “de legitimar o ilegítimo”.

“O nosso povo sofre. Esta ruína económica é de todos”, disse, em alusão à maior crise económica desde há 10 anos, que agravou nas últimas semanas com a falta de combustíveis, alimentos e medicamentos.

Nelson Chamisa, que sublinhou haver “uma ausência de liderança” e que a “nação está órfã”, abordou também a situação precária nos hospitais, que “é completamente chocante”.

“Os nossos hospitais estão doentes. E, com hospitais doentes, não é possível receber pessoas doentes. O nosso povo morre de doenças evitáveis, como a cólera”, acentuou, lembrando que, desde setembro, pelo menos 50 pessoas morreram com esta doença.