O atual chefe de Estado irlandês, Michael D. Higgins, deverá ser reeleito para um segundo mandato como Presidente nas eleições de sexta-feira, às quais concorrem seis candidatos, entre os quais três celebridades televisivas.

A sondagem mais recente, publicada pelo diário Sunday Business Post, dava ao escritor 68% das intenções de voto, muito à frente do rival mais próximo, Seán Gallagher, que recolhe 12% das preferências. Em terceiro lugar estava Liadh Ní Riada, do Sinn Féin, com 9%, seguida por Joan Freeman (6%), Gavin Duffy (3%) e Peter Casey (2%)

O estudo estabelece Higgins, de 77 anos, como um candidato quase consensual, que domina em todas as partes do país, faixas etárias e classes sociais, superando mesmo Ní Riada entre os eleitores do seu próprio partido, o Sinn Féin.

Presidente da Irlanda desde 2011, é um veterano da política na Irlanda, tendo sido senador e deputado pelo partido Trabalhista, cargos que acumulou, em duas ocasiões, com a presidência da Câmara Municipal de Galway. Exerceu ainda funções como ministro das Artes e Cultura em governos de coligação com o Fianna Fáil, entre 1993 e 1994, e com o Fine Gael, entre 1994 e 1997, um motivo para estes dois partidos, juntamente com o Labour (Trabalhista), apoiarem a sua candidatura.

Autor de poesia e formado em sociologia, Michael D., como é conhecido, é admirado pela defesa de causas humanitárias e pela capacidade de unir o país, incluindo os mais jovens, apesar da idade avançada, pois terá 84 anos quando o próximo mandato terminar.

Higgins aproveitou a popularidade para fazer uma campanha discreta, dando-se ao luxo inclusivamente de recusar participar num debate televisivo, mas isso não quer dizer que não seja alvo de críticas, nomeadamente sobre alegadas despesas injustificadas.

Nas últimas semanas foi confrontado com o uso de um jato do governo para fazer 150 quilómetros até Belfast em vez de ir de carro, e alguns opositores levantaram dúvidas sobre o uso de fundos públicos para tratar dos seus dois cães ou do jardim numa residência privada.

Deputada no Parlamento Europeu desde 2014 pelo Sinn Féin e única candidata em representação de um partido político, Liadh Ní Riada pediu explicações para “assegurar [os cidadãos] de que as finanças públicas estão a ser bem usadas”.

Exemplo de uma nova geração de políticos menos comprometidos com o conflito da Irlanda do Norte e mais centrados no combate à injustiça social, a política de 51 anos é uma grande defensora da língua gaélica e filha do compositor Seán Ó Riada, figura do renascimento da música tradicional.

Candidato pela segunda vez consecutiva, Sean Gallagher, de 56 anos, é um empresário e antigo membro do painel de empresários e potenciais investidores do programa de televisão Dragon’s Den, onde empreendedores apresentam as suas ideias de negócio.

Em 2011 estava bem colocado nas sondagens, mas uma polémica sobre favorecimento e financiamento do partido Fianna Fáil alimentada pelas redes sociais resultou numa controvérsia que marcou o final da campanha e na vitória de Higgins.

A senadora independente Joan Freeman, de 60 anos, é uma psicóloga, fundadora da instituição Pieta House e promotora do evento “Darkness Into Light” [Da Escuridão à Luz], ambos de apoio, prevenção e sensibilização para a saúde mental e contra o suicídio.

Gavin Duffy, de 58 anos, é outro empresário que também participou no programa Dragon’s Den que colaborou com os partidos Fine Gael e do Fianna Fáil no passado, mas que é um principiante na política e defende o investimento na infraestrutura física e digital do país.

O terceiro antigo elemento do Dragon’s Den, Peter Casey, de 61 anos, é o mais controverso dos candidatos devido ao estilo populista, sendo o mais feroz nos ataques a Higgins e defensor de a Irlanda seguir o Reino Unido e sair da UE.

Natural de Derry, na Irlanda do Norte, mas estabelecido nos EUA durante muitos anos, é um defensor do direito de voto dos emigrantes irlandeses, mas na semana passada questionou o estatuto de minoria étnica das comunidades nómadas [travellers] da Irlanda.

Num comentário para o jornal Irish Independent, descreveu-os como “pessoas que acampam na propriedade de outras pessoas” e que “não estão a pagar a sua parte dos impostos para a sociedade”, observações que foram condenadas pelos restantes candidatos.

Casey chegou a suspender a campanha, mas mantém-se na corrida, garantindo que respeita os Travellers, mas enquanto irlandeses, vincando: “Se isso está errado, não peço desculpa”.