A organização não-governamental Human Rights Watch denunciou esta quinta-feira ameaças e atos de violência contra jornalistas que cobrem a campanha eleitoral brasileira para as presidenciais, relatando casos de perseguições e ataques físicos contra os profissionais de comunicação.

A denúncia é feita pela Human Rights Watch, citando organizações não-governamentais brasileiras e internacionais como a ‘Artigo 19’, ‘Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo’ (Abraji), ‘Comité para a Proteção dos Jornalistas’ (CPJ), ‘Conectas Direitos Humanos’, ‘Human Rights Watch’ e ‘Repórteres sem Fronteiras’ (RSF), que exigem que os candidatos à Presidência da República denunciem de forma contundente os ataques perpetrados contra os jornalistas no decorrer do processo eleitoral.

Patrícia Campos Mello, repórter especial do jornal Folha de São Paulo, disse que foi vítima de várias ameaças através da Internet e de duas chamadas telefónicas ameaçadoras, tendo visto ainda a sua conta na rede WhatsApp ser atacada, depois de ter denunciado uma suposta campanha de envio de notícias falsas, levada a cabo por empresários favoráveis ao candidato Jair Bolsonaro, segundo a Human Rights Watch.

Após a publicação da reportagem sobre o escândalo ligado a Jair Bolsonaro, Mauro Paulino, diretor-executivo da plataforma Datafolha (ligada ao jornal Folha de São Paulo)¸ também recebeu ameaças através de uma aplicação de mensagens, assim como em sua casa, de acordo com o jornal.

O Folha de São Paulo informou também que os apoiantes de Bolsonaro fizeram um ataque “sistemático” a um dos números de Whatsapp do jornal, que recebeu 220.000 mensagens em quatro dias, ataque esse que tornou impossível o acompanhamento das mensagens enviadas pelos restantes seus leitores, segundo o jornal.

No dia 23 de outubro, O Folha de São paulo pediu ao Tribunal Superior Eleitoral a instauração de um inquérito pela Polícia Federal para apurar o que considera ser “indícios de uma ação orquestrada com tentativa de constranger a liberdade de imprensa”.

“As ameaças contra Patrícia Campos Mello e outros jornalistas representam uma escalada alarmante da retórica contra a imprensa neste ciclo eleitoral contencioso no Brasil”, disse Natalie Southwick, Coordenadora do Programa do CPJ para a América Central e do Sul.

“Os jornalistas que cobrem a eleição presidencial no Brasil devem poder trabalhar livremente e com segurança enquanto fazem reportagens sobre questões de interesse público. Pedimos aos candidatos de todos os partidos que respeitem a liberdade de imprensa, se abstenham de fazer declarações inflamatórias contra os media, e exortem os seus partidários a parar de assediar e ameaçar jornalistas”, acrescentou Natalie.

A Abraji documentou 141 casos de ameaças e violência contra jornalistas que cobriam as eleições. A maioria deles é atribuída a apoiantes de Bolsonaro, seguindo-se os do Partido dos Trabalhadores (PT).