A comissão parlamentar de inquérito às rendas excessivas da eletricidade quer ouvir João Manso Neto a 18 de dezembro, uma data ainda indicativa e que terá de ser confirmada. O calendário provisório aprovado esta quinta-feira fecha com a audição de Manuel Pinho, ex-ministro da Economia, no dia 2o de dezembro, data já noticiada pelo Observador.

Caso se realize a audição na data prevista, Manso Neto será o primeiro gestor da EDP em funções a ser ouvido sobre as alegadas rendas recebidas pela empresa. Já a audição ao presidente executivo, António Mexia, deverá ficar para o próximo ano.

João Manso Neto é atualmente presidente da EDP Renováveis, mas já foi administrador da EDP com o pelouro da produção, a atividade cujos pagamentos feitos ao abrigo de contratos de remuneração garantida, como os CMEC, estão a ser investigados.

Ainda antes de chegar à administração da elétrica, como parte da equipa de António Mexia, Manso Neto já era diretor da elétrica, durante a gestão de João Talone. E nessa qualidade esteve envolvido em negociações com o Governo a propósito de vários temas que estão debaixo de escrutínio dos deputados. Para alem dos CMEC (custos de manutenção do equilíbrio contratual), a sua intervenção no processo de extensão do domínio hídrico que permitiu à EDP prolongar o prazo de concessão de 27 barragens, tem sido referida por personalidades já ouvidas pelos deputados.

Os nomes aprovados pelos deputados para uma nova ronda de audições, os trabalhos pararam para a discussão de Orçamento do Estado, incluem ainda o ex-ministro da Economia, Álvaro Barreto, e Aníbal Fernandes que esteve ligado ao projeto ENEOP, que ganhou o grande concurso de atribuição de potência eólica decidido no tempo de Manuel Pinho. As audições serão retomadas a 11 de dezembro.