Ébola

Onda de ataques rebeldes na República Democrática do Congo provoca aumento de casos de ébola

Ataques rebeldes na República Democrática do Congo aumentaram o números de casos de ébola no país. Em três meses foram registadas 157 mortes, 122 das quais de ébola.

Uma enfermeira da OMS administra uma vacina de ébola em Monrovia, capital da Libéria. (Photo by John Moore/Getty Images)

Getty Images

Uma onda de ataques rebeldes e de mílicas na República Democrática do Congo (RDC) fez aumentar o números de casos de ébola no país. Em três meses foram registadas 157 mortes, 122 das quais de ébola, avança esta quinta-feira o jornal The Guardian.

O número total de casos prováveis e confirmados subiu para 244, com 63 pessoas a recuperarem da infeção. Este último surto começou em agosto deste ano e está centrado nas províncias de Ituri e  Kivu do Norte, ambas devastadas por rebeliões e assassinatos étnicos desde as duas guerras civis que afetaram as regiões na década de 90.

No sábado, na cidade de Butembo, a milícia matou dois membros do exército do Congo. No mesmo dia, na cidade de Beni, foram mortas mais 12 pessoas: 11 civis e 1 soldado.

Os rebeldes atacaram também posições do exército congolês e sequestraram 12 crianças entre os cinco e os dez anos. Esta terça-feira, outras cinco pessoas morreram num ataque perto de Goma, a capital de Kivu do Norte.

Ainda não é claro quem realizou estes ataques. No entanto, sabe-se que as Forças Democráticas Aliadas (ADF) e um grupo islâmico, sediado no Uganda e ativo no leste da RDC, entraram nestas últimas semanas em confronto com as tropas congolesas.

A crescente onda de violência tem preocupado as autoridades internacionais de saúde. No dia 17 de outubro, o comité de Emergência da Organização Mundial de Saúde (OMS) decidiu, numa reunião em Genébra, na Suiça, que o surto de ébola na RDC não era, ainda, uma ameaça em termos de saúde pública internacional. Ainda assim, em comunicado, a OMS afirmou estar ”profundamente preocupada”.

No twitter, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesu, demonstrou, na altura, igual preocupação e afirmou que ”continuam a trabalhar com vigilância para acabar o surto”.

Os ataques têm vindo a interromper os tratamentos para combater a doença e a adiar enterros e programas de vacinação nas últimas semanas.

De acordo com o mesmo jornal, os analistas culpam os atores políticos pelo ressurgimento da violência e a instabilidade criada, devido à aproximação das eleições de dezembro.

Apesar dos frequentes avisos para evitar a contaminação, há alguma parte da população que continua a ter comportamentos de riscos. Cerca de 22 homens desenterraram um corpo de uma vítima de ébola para se certificarem de que as autoridades sanitárias teriam retirado os órgãos, confirmou o ministério da saúde do país. No domingo, foram vacinados.

O presidente da câmara de Beni, defende que o facto de a população se recusar a ser vacinada não ajuda no combate ao surto. ”Combater o ébola é uma responsabilidade da comunidade, mas alguns populares rejeitam os conselhos das autoridades de saúde, o que faz com que a taxa de propagação da doença seja alta”,  relata Nyonyi Masumbuko Bwanakawa ao jornal.

”Combater o ébola é uma responsabilidade da comunidade, mas alguns populares rejeitam os conselhos das autoridades de saúde, o que faz com que a taxa de propagação da doença seja alta”, conta o presidente da câmara de Beni ao The Guardian.

Pelo que a OMS informou é expectável que o surto dure vários meses e que se alastre do Nordeste do Congo ao Uganda e a Ruada. A doença apareceu pela primeira vez no rio ébola na República Democrática do Congo, em 1970. Até à data, o maior surto registado fez 11.300 mortos entre a Guiné, a Libéria e a Serra Leoa, entre 2014 e 2016.

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