Um professor francês foi acusado de assédio telefónico ao Eliseu, a residência oficial do presidente francês. O homem telefonou centenas de vezes durante vários dias para o palácio presidencial e exigiu falar com Emmanuel Macron, para lhe transmitir as suas inquietações, receios e preocupações quanto à atualidade política francesa. Quando a chamada não foi passada ao gabinete do presidente, o francês insistiu uma e outra vez e, além das críticas a Macron, começou a insultar e ameaçar os funcionários que atendiam o telefone.

Perante a insistência – que, de acordo com a comunicação social francesa, terá sido “suficiente para impedir o pessoal da central telefónica de realizar o seu trabalho e atender as restantes chamadas” -, os funcionários do Eliseu decidiram apresentar uma denúncia por assédio telefónico: o “procedimento administrativo clássico”, garantem, aconteceu no passado mês de setembro. Os jornais franceses avançavam esta terça-feira que o homem tinha telefonado 195 vezes em menos de 24 horas, mas este número foi já colocado em questão pela própria residência oficial de Emmanuel Macron, que garante que as chamadas não são quantificadas.

O homem foi entretanto identificado como sendo um professor de música, com 38 a 40 anos, pai de família e residente em Annecy, na região este de França. A polícia francesa não teve grandes dificuldades em encontrar o homem em questão já que, além de ter feito todas as chamadas a partir do telefone fixo de casa, este é já reincidente. Em anos anteriores, já tinha contactado sucessivamente o Eliseu, ainda durante o mandato de François Hollande, e tinha tido o mesmo modus operandi com um alto funcionário da polícia que tinha visto na televisão.

Os funcionários da residência oficial do presidente francês garantem ainda que a denúncia não foi feita porque o professor criticava Emmanuel Macron – mas sim pelas ameaças feitas ao pessoal da central telefónica. “Ele dava regularmente o seu ponto de vista de maneira veemente sobre todo o tipo de coisas e considerava legítimo fazê-lo diretamente ao Eliseu. O discurso era por vezes incoerente, vingativo e acompanhado por insultos”, acrescentaram, em declarações ao jornal Le Parisien.

Depois de identificado, foi chamado à esquadra da zona de residência e por lá permaneceu durante várias horas a prestar declarações. O professor deve ser presente a um juiz em janeiro de 2019.