Steve Bannon, o homem que liderou a campanha presidencial de Donald Trump, garante que não esteve nem está a colaborar com Jair Bolsonaro mas considera-o “brilhante” como candidato à presidência do Brasil. Especula-se desde agosto que Bannon poderia estar envolvido com a campanha do brasileiro, sobretudo depois de o filho, Eduardo Bolsonaro, ter colocado nas redes sociais uma foto tirada em Nova Iorque onde apareciam os dois — Eduardo e Bannon.

Em entrevista à BBC News (Brasil), Bannon refere-se a Jair Bolsonaro com um “líder”, uma pessoa “brilhante”, “sofisticada” e “muito parecido” com Donald Trump. Foi a primeira vez que Bannon se pronunciou sobre este ato eleitoral, não obstante ter já falado várias vezes, publicamente, de outros líderes como Matteo Salvini, em Itália, e Viktor Órban, na Hungria, elogiando-os pelas posições nacionalistas que têm exprimido.

Quando se fala em Bolsonaro, “sou apenas um apoiador”, garante Steve Bannon, acrescentando que a sua intenção é apenas “endossar com alegria o capitão Bolsonaro e sua campanha para se tornar o próximo líder do Brasil”.

Bolsonaro está a concorrer contra a corrupção e a incompetência desta classe política permanente, que levou uma nação com tantos recursos naturais a um ponto de crescimento lento ou estagnado, sem aumento dos salários, com pobreza. E agora a estrutura social está desmoronando”, comenta Steve Bannon.

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Na altura em que a foto de Eduardo Bolsonaro e Steve Bannon foi colocada nas redes sociais, o filho do candidato presidencial tinha sido um pouco mais vago na descrição sobre o grau de colaboração entre Bolsonaro e Bannon: “certamente estamos em contacto para somar forças, principalmente contra o marxismo cultural”.

[Veja no vídeo como entrámos no mundo das notícias falsas do Whatsapp brasileiro]

Na entrevista à BBC News Brasil, Bannon considerou que Bolsonaro tem muitas parecenças com Trump, em vários aspetos. “Eu acho eles muito parecidos. Ambos são contra o sistema e têm essa habilidade de se conectar, de representar a classe trabalhadora e talvez a classe média baixa. Trump tem habilidades únicas, e essa é uma das razões pelas quais ele é presidente, de circular, se conectar com as pessoas e entender suas frustrações, e como elas se sentem como se não tivessem voz”, comenta Bannon.

“A classe média nos EUA acha que com Trump seus interesses são representados pela primeira vez, e eu acho que o capitão Bolsonaro é a mesma coisa”, remata.