É um facto que não faz qualquer sentido um concessionário de uma marca, que venda e assista veículos eléctricos, não possuir um posto de carga para os seus modelos. É certo que poucos (ou nenhum) possuem uma bomba de combustível, para os seus carros a gasolina ou gasóleo, mas é indiscutível que os veículos alimentados por bateria têm algumas características menos boas, que os tornam particularmente sensíveis à quantidade de energia que acumulam.

O Taycan tem algumas vantagens face à concorrência e uma delas é a capacidade de carregar a 350 kW, uma potência muito mais elevada do que a concorrência, que permite reduzir consideravelmente o tempo em que está ligado à corrente. Se o tempo reduzido de carga é bom para o cliente, já o preço do carregador a que está ligado nem por isso. E, como seria de esperar, todos os concessionários têm de adquirir um ou mais destes equipamentos, de que a Efacec produziu as primeiras unidades e que, segundo os americanos, tem um custo que pode variar entre 300.000 e 400.000 dólares, ou seja, entre 260.000 e 350.000€.

A necessidade de se equipar com estes dispendiosos postos de carga tem dado origem a alguns cabelos brancos nos concessionários europeus, e agora estará a criar o mesmo tipo de embaraço – e fortes investimentos – aos seus congéneres americanos. A Porsche afirmou inicialmente que queria oferecer aos seus clientes 500 postos de carga nos EUA e Canadá, muitos deles dentro das concessões, com Klaus Zellmer, o CEO da Porsche North America, a elevar a fasquia para 700, dos quais no mínimo 200 vão ser adquiridos pelos concessionários.

O esforço financeiro é brutal, e promete consumir as margens de lucro durante algum tempo, nos concessionários com menor volume de vendas, mas pode igualmente converter-se num reforço da facturação, isto caso seja possível ao concessionário vender energia. O que em Portugal, por exemplo, não pode acontecer, uma vez que este negócio é exclusivo dos operadores dos postos eléctricos. A menos que os concessionários peçam e paguem uma licença, com tudo o que isso implica.