No final do Grande Prémio da Austrália, Miguel Oliveira mantinha o mesmo discurso otimista que tem caracterizado esta época no Moto 2. “Temos de manter a calma e tentar tirar o máximo de partido da corrida. Estamos na luta pelo título e vamos continuar a tentar, que é o mais importante”, atirou. No entanto, depois desta antepenúltima corrida do Mundial, as contas começam a ficar definitivamente complicadas e Francesco Bagnaia pode mesmo fechar a luta do título na Malásia.

Durante as sessões de treinos livres, o piloto português foi recordando o grande trabalho na Austrália no ano passado, quando ganhou e o companheiro de equipa Brad Binder conseguiu ir também ao pódio. “É um circuito muito especial, em que as sensações da moto são muito importantes e o vento tem muita influência”, explicava. No entanto, essas mesmas sensações acabaram sempre por condicionar o desempenho de Miguel Oliveira que, depois de ter ficado com a pior qualificação do ano (20.º lugar), não foi além da 11.ª posição, apenas uma à frente do líder do Mundial.

“Este era um fim de semana em que as expectativas eram elevadas, depois do resultado do ano passado, mas nunca me senti confortável pelo que fizemos algumas alterações para tentar melhorar. Contudo, fizeram-me perder um pouco de confiança na mota. É uma pena que não tenhamos conseguido tirar partido desta oportunidade de reduzir a diferença para o líder em mais pontos, mas temos de manter a cabeça levantada e concentrarmo-nos na Malásia, uma prova onde estivemos muito bem no ano passado”, resumiu Miguel Oliveira no final da corrida realizada no circuito de Phillip Island.

Miguel Oliveira admitiu que teve problemas ao longo do fim de semana mas recusa desistir da luta pelo título (Mirco Lazzari gp/Getty Images)

No entanto, e se Oliveira teve problemas durante o fim de semana, o mesmo não se pode dizer de Brad Binder, companheiro da KTM que conseguiu a terceira vitória da temporada (após Alemanha e Aragão) e reforçou o terceiro posto da classificação à frente de Lorenzo Baldassarri, que teve também uma corrida para esquecer (22.º lugar). O pódio na Austrália foi ocupado por mais dois espanhóis e nenhum deles Álex Márquez: Joan Mir foi segundo (tendo ultrapassado o irmão do campeão de Moto GP na tabelta com mais um ponto) e Xavi Vierge fechou na terceira posição, o seu segundo melhor resultado do ano.

Miguel Oliveira soma agora 252 pontos, menos 36 do que Francesco Bagnaia quando faltam apenas duas provas para o final do Mundial (Malásia no próximo fim de semana, Valência a 18 de novembro). E tudo porque não conseguiu capitalizar a qualificação e corrida menos conseguida do italiano da Kalex, numa semana que ficou também marcada com a notícia de que Dani Pedrosa será um dos pilotos de testes da KTM no desenvolvimento da RC16. Recorde-se que, no próximo Mundial de Moto GP, o escalão mais alto, o português já está garantido como companheiro de equipa de Hafizh Syahrin na Tech3, equipa francesa comandada por Hervé Poncharal que passará a ter motores da KTM.