Em todos os veículos eléctricos, a electricidade só tem um sentido, com o modelo a ligar-se à rede eléctrica para recarregar a bateria, que depois fornece energia ao motor para o locomover. Todos, menos o Nissan Leaf, que nesta segunda geração estreou um sistema bidireccional, em que tanto pode alimentar-se de energia, como fornecê-la, quando ela não for necessária.

O objectivo dos técnicos da Nissan, ao conceberem esta solução, foi tornar cada condutor num parceiro da rede eléctrica, podendo recarregar a bateria durante a noite, quando a energia é mais barata, para depois durante o dia, nos períodos de pico de consumo, a entidade responsável pela estabilização da rede poder pedir aos condutores com excesso de energia nos seus carros, que os liguem a um posto público para vender electricidade ao país. Obviamente a um preço superior, o que transforma os proprietários dos Leaf em brokers de energia e ganhando dinheiro com isso, com a Nissan a estimar que um utilizador do Leaf pode ambicionar ganhar até 900€ por ano com este tipo de transacção.

Esta possibilidade de fazer a energia circular nos dois sentidos no Leaf permite ainda que o tal condutor, que recarregou a bateria durante a noite, quando regressa a casa ao fim do dia, ainda no período em que o tarifário é mais caro, aproveite a electricidade armazenada no seu carro para alimentar a casa, poupando na conta da luz. É claro que para isto funcionar na perfeição, convém que as casas estejam equipadas com um sistema de bateria estacionária, vulgarmente chamada Powerwall, por ser esta a marca registada pela Tesla, a primeira empresa a colocar no mercado em força este tipo de acumuladores.

Uma coisa é o Nissan Leaf ter a possibilidade de comprar e vender electricidade, outra completamente distinta é o modelo ser aprovado pelas autoridades para realizar este tipo de negócio. O que tardou, mas que já foi ultrapassado, depois de o Governo alemão ter aceitado o Leaf como apto para funcionar no regime V2G, ou Vehicle to Grid, fornecendo com a mesma facilidade com que se abastece.

Segundo o CEO da Nissan Europa, Guillaume Pelletreau, “a Nissan acredita num futuro sem emissões e o Leaf pode dar um importante contributo para a transição energética na Alemanha tornando o futuro mais sustentável”. Falta contudo conhecer os pormenores da operação, para se ver até que ponto as condições propostas são suficientes para aliciar os condutores dos Leaf a entusiasmar-se com a compra e venda de energia. Veja como funciona: