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Coimbra

Universidade de Coimbra discute legado e protagonistas da arquitetura do Estado Novo

As obras marcantes do Estado Novo e o seu papel na afirmação do regime "salazarista" estarão no centro da discussão, em 6 e 7 de novembro, na Universidade de Coimbra.

PAULO NOVAIS/LUSA

As obras arquitetónicas marcantes do Estado Novo e o seu papel na afirmação do regime “salazarista” estarão no centro da discussão, em 6 e 7 de novembro, na Universidade de Coimbra, num colóquio que reúne três dezenas de especialistas. O colóquio evoca a passagem de 70 anos sobre a “importante e emblemática” exposição Quinze Anos de Obras Públicas (1948).

Levada a cabo durante a passagem de José Frederico do Casal Ribeiro Ulrich pelo Ministério das Obras Públicas do governo de António Salazar, a exposição serviu como mostra e momento da reflexão do caminho iniciado 15 anos antes pelo ministro Duarte Pacheco, a quem se devem algumas das obras mais marcantes do regime.

A comissão científica do colóquio é assegurada por Luís Miguel Correia, do Departamento de Arquitetura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (DARQ-FCTUC), e Joana Brites, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), ambos investigadores do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS20).

Os trabalhos vão decorrer num dos anfiteatros da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, edifício que integra o vasto conjunto arquitetónico da Alta de Coimbra, erigido durante o Estado Novo, que integra o Património Mundial da UNESCO.

O colóquio não vai refletir apenas sobre o legado construído, dentro do país e também nas antigas colónias, mas também sobre os seus autores e protagonistas, explica Luís Miguel Correia. Destaca-se a presença de uma nova geração de investigadores que através dos seus recentes trabalhos tem produzido uma renovada leitura sobre a obra do regime.

O objetivo é realizar um balanço, necessariamente crítico, das muitas e multifacetadas obras públicas promovidas pelo Estado Novo, focando o seu papel na afirmação do próprio regime, os seus protagonistas e o seu legado construído”, refere.

A conferência de abertura do colóquio será proferida pelo historiador britânico Roger Griffin (Oxford Brookes University), historiador do fascismo, “permitindo situar internacionalmente a problemática das campanhas de obras públicas no quadro dos regimes fascistas e do modernismo”, explicam os organizadores.

A arquiteta Ana Tostões reflete de seguida sobre a “Arquitetura das obras públicas como um instrumento do Governo”. “A questão da monumentalidade e da imagem de regime são o fio condutor desta apresentação sobre a busca do monumento convocado nas diversas vertentes: retórico clássico, pastoral regional, moderno radical. Em destaque vai estar a obra de Porfírio Pardal Monteiro, o arquiteto que mais construiu a obra pública do Estado Novo e que se celebrizou como um dos primeiros modernos na primeira metade do século XX”, avançam os organizadores.

Ainda durante a manhã, são abordados os temas “O Ministério das Obras Públicas de Duarte Pacheco”, por Sandra Vaz Costa, e “Ser arquiteto num tempo [1930-1950] e num lugar [Portugal]”, por Ana Isabel Ribeiro. A moderação do debate desta manhã é assegurada por Luís Reis Torgal.

Obras públicas e melhoramentos locais: entre Lisboa e o País (real)” (por Ricardo Agarez); “A ordem identitária das obras públicas” (por Nuno Rosmaninho); “Mobiliário e obras públicas” (por João Paulo Martins e Sofia Diniz); “Monumentos Nacionais: a construção de um legado” (por Luís Miguel Correia); “O Livro de Ouro da Exposição 15 Anos de Obras Públicas: arquitetura e propaganda” (por Margarida Acciaiuoli), são os temas da tarde. A moderação deste debate é assegurada por Sergio Fernandez.

O primeiro dia termina com a exibição do filme “Quinze Anos de Obras Públicas”, apresentado em 1948 no âmbito desta iniciativa do regime, cuja realização pertenceu a António Lopes Ribeiro, Felipe de Solms e Carlos Filipe Ribeiro.

O segundo dia é dedicado à discussão dos planos gerais de urbanização (por José Cabral Dias), das várias tipologias arquitetónicas programadas e construídas pelo regime e, a terminar, ao papel das obras públicas na infraestruturação do território colonial (por Ana Vaz Milheiro).

Será dado destaque, na parte da manhã, às infraestruturas hidroelétricas (Fátima Fernandes), aos equipamentos escolares (Gonçalo Canto Moniz e António Rochette Cordeiro), à habitação de intervenção estatal (Rui Ramos, Eliseu Gonçalves e Sérgio Dias Silva) e às filiais e agências da Caixa Geral de Depósitos, Crédito e Previdência (Joana Brites). A moderação do debate estará a cargo de Alexandre Alves Costa.

À tarde, as apresentações vão centrar-se na arquitetura hospitalar (Helena Gonçalves Pinto), judiciária (António Manuel Nunes), religiosa (João Luís Marques e João Alves da Cunha), de cultura e lazer (Susana Lobo e Susana Constantino), bem como nos edifícios dos CTT. O colóquio termina com um debate moderado pelo diretor do DARQ, José António Bandeirinha.

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