Cancro

Liga Contra o Cancro faz rastreios e apoia 5 mil doentes, mas depende dos peditórios para “colmatar lacunas do Estado”

Na véspera de mais uma recolha de donativos, o presidente da Liga Contra o Cancro lamenta, ao Observador, que a instituição só possa contar com o financiamento privado. "É um desgosto muito grande."

O peditório da Liga Portuguesa Contra o Cancro decorre em todo o país até ao próximo domingo, 4 de novembro

FERNANDO VELUDO / LUSA/LUSA

O presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro, Vítor Veloso, lamenta que o Estado continue sem dar nenhum apoio financeiro à instituição, que é de utilidade pública, sobretudo porque a Liga “colmata as lacunas do Estado nas áreas em que o Estado falha“. Em declarações ao Observador, na véspera do arranque de mais um peditório nacional, que decorre entre os dias 31 de outubro e 4 de novembro, Vítor Veloso diz que “é um desgosto muito grande ver que o Estado dá milhões a fundações que não têm qualquer razão de existir e que não fazem nada, e que em relação à Liga não dá nada“.

Apesar de ser “cada vez mais difícil” de realizar o peditório de rua, uma vez que “as pessoas são cada vez menos ativas” e porque “há muitas associações que fazem este tipo de angariações todos os dias, sem licença e sem qualquer credibilidade“, o presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro confia na solidariedade dos portugueses e espera que este ano o peditório permita angariar um valor na linha do que foi recolhido no ano passado: 1,5 milhões de euros. O peditório é a principal fonte de financiamento da Liga, que também recebe verbas da consignação de 0,5% do IRS dos contribuintes que o desejarem. Ou seja, todo o financiamento é privado.

Para Vítor Veloso, a ausência de financiamento estatal é “uma contradição muito grande”, na medida em que cabe à Liga fazer aquilo que o Estado não faz em diversas áreas, nomeadamente na prevenção primária. “Sensibilização, educação para a saúde, literacia. O Governo escreve isso, mas não faz absolutamente nada“, diz Vítor Veloso, sublinhando que esta é uma das principais áreas de atuação da Liga Contra o Cancro. Mas a instituição apoia economicamente, de forma direta, cerca de 5 mil doentes com cancro, pagando alimentação, transportes, rendas de casa e outras despesas. A Liga Portuguesa Contra o Cancro é igualmente responsável pelo rastreio do cancro da mama em Portugal, sem que o Estado pague alguma coisa por isso.

Além dos projetos que envolvem diretamente a população, a Liga investe ainda em bolsas de estudo para jovens investigadores na área da oncologia, em projetos a desenvolver na área ou em estágios de profissionais portugueses em instituições estrangeiras, e paga salários a 200 colaboradores — dos quais se excluem os corpos sociais da instituição. Sem apoio estatal, o peditório “é a maneira de conseguirmos auxiliar os nossos doentes e levar as nossas campanhas de prevenção primária a bom termo“, explica Vítor Veloso.

A Liga Portuguesa Contra o Cancro não beneficia, também, da isenção de IVA, apesar de esse ser um dos pedidos mais recorrentes dos responsáveis da instituição. Vítor Veloso garante que já insistiu com este pedido junto do atual Governo, mas que não obteve nenhuma resposta.

Felizmente, até agora temos conseguido manter o nível dos contributos no peditório nacional“, explica o presidente da instituição. A adesão ao peditório é, também, “uma forma de aferir que os portugueses estão agradados com a Liga, com as atividades que realizamos, com a prevenção dos comportamentos de risco, com a prevenção secundária, com os centros de dia, com os lares para acolher os doentes e com o apoio económico aos doentes mais carenciados”, acrescenta.

O peditório — que tem Cristiano Ronaldo e a atriz Adelaide de Sousa como embaixadores — decorre entre esta quarta-feira, dia 31 de outubro, e o próximo domingo, dia 4 de novembro, e conta com a participação de 24 mil voluntários. “As pessoas que estão no peditório são voluntárias. Peço que todos olhem para esse gesto, que é um gesto de solidariedade, e mesmo que não deem dinheiro, deem uma palavra de incentivo, porque é muito difícil”, apela o presidente da instituição. No ano passado, o peditório registou uma diminuição de 5% nas receitas, porque não foi feito em regiões que foram afetadas pelos incêndios.

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