Estados Unidos da América

Mueller denuncia ao FBI uma conspiração para o comprometer num escândalo sexual

O procurador especial Robert Mueller, que investiga o alegado conluio da campanha de Trump com a Rússia, alertou o FBI para esquema em que foi oferecido dinheiro a mulheres para o acusarem de assédio.

Robert Mueller tem em mãos a investigação do alegado conluio entre a equipa de campanha de Donald Trump e a Rússia durante as eleições de 2016

Getty Images

O gabinete do procurador especial Robert Mueller, que tem em mãos a investigação do alegado conluio entre a equipa de campanha de Donald Trump de 2016 e a Rússia, acredita que está a ser preparada uma conspiração para o implicar num escândalo sexual.

Essa possibilidade foi assumida pela equipa de Robert Mueller, que emitiu um comunicado esta terça-feira dando conta de que fez uma participação ao FBI. “Quando soubemos na semana passada que há alegações de mulheres terem recebido dinheiro para fazerem afirmações falsas sobre o procurador especial, imediatamente informámos o FBI do caso, para ser investigado”, disse o porta-voz do gabinete de Robert Mueller, Peter Carr.

De acordo com o The New York Times, as primeiras alegações surgiram quando uma mulher que se identificou como Lorraine Parsons informou vários jornalistas de que tinha sido contactada por um homem que tinha perguntas a fazer-lhe sobre Robert Mueller, com quem ela tinha trabalhado em 1974 no escritório de advogados Pillsbury, Madison, and Sutro.

Segundo aquilo que contou, o homem em questão, que se identificou como Bill Christensen, ter-lhe-á oferecido mais de 50 mil dólares — 44 mil euros — de uma empresa chamada Surefire Intelligence para “fazer acusações de má conduta sexual e assédio no local de trabalho contra Robert Mueller”. Também terão sido oferecidos 10 mil dólares extra, caso a denúncia fosse feita quanto antes.

Num e-mail enviado a algumas redações, Lorraine Parsons garantiu que, apesar de ocasionalmente se ter cruzado com Robert Mueller durante os tempos em quem ambos partilharam o mesmo local de trabalho, o procurador especial nunca teve qualquer tipo de conduta errada. “Das poucas vezes em que o via, ele foi sempre simpático para mim e nunca agiu de forma imprópria”, lê-se naquela missiva, à qual a The Atlantic teve acesso.

No entanto, para baralhar ainda mais a história, tanto o The New York Times como a The Atlantic contactaram a firma de advogados Pillsbury, Madison, and Sutro para obter informações sobre esta alegação. A resposta foi que não havia registos de Lorraine Parsons alguma vez ali ter trabalhado — informação que pode ajudar a isentar Robert Mueller mas que a própria não terá partilhado com os jornalistas com quem entrou em contacto.

Lorraine Parsons, cuja identidade os jornalistas não conseguiram confirmar uma vez que esta se recusou a falar com eles por telefone ou pessoalmente, não é, porém, a primeira mulher a dar conta de um alegado contacto para difamar Robert Mueller.

Antes dela, já Jenniffer Taub, professora de Direito no Vermont, tinha garantido ter sido contactada pela Surefire Intelligence também com o propósito de acusar Robert Mueller de assédio sexual. Jenniffer Taub denunciou a abordagem de que foi alvo ao FBI. Em declarações à The Atlantic, sublinhou nunca ter conhecido o procurador especial pessoalmente.

Quem pode estar por trás disto?

Há dois nomes que estão a ser avançados em diversos media norte-americanos — além do The New York Times e da Atlantic, também a NBC News tem investigado este caso.

O primeiro é o de Jack Burkman, advogado, lobista e radialista conservador, com ligações ao Partido Republicano. Em reação às notícias que têm sido publicadas com o seu nome, o advogado negou ter feito quaisquer contactos com o objetivo de difamar Robert Mueller. No entanto, na mesma altura em que Lorraine Parsons e Jennifer Taub garantem ter sido contactadas, o próprio Jack Burkman publico um vídeo onde dizia que Robert Mueller “tem um longo historial de assédio a mulheres”.

Ainda assim, em reação aos contactos que foram feitos por jornalistas, Jack Burkman deu a morada de um hotel em Arlington, na Virgínia, dizendo que na quinta-feira às 12h00 será apresentada uma “testemunha muito credível” que dará conta de ter sido assediada por Robert Mueller.

Our investigation into Bob Mueller continues. We are starting to get interesting information on his background.

Posted by Jack Burkman Radio on Saturday, October 20, 2018

O segundo nome é o de Jacob Wohl, jovem de 20 anos que se define no Twitter como “investidor de 20 anos e comentador político”, além de “conservador, apoiante de Trump, sionista”. É também autor no The Gateway Pundit, site da alt-right conhecido por veicular várias teorias da conspiração e também notícias falsas. De acordo com a NBC News, a Surefire Intelligence, empresa que terá prometido dinheiro àquelas duas mulheres em troca de uma denúncia contra Robert Mueller, é pelo menos ligada àquele jovem. O telefone disponível no site da Surefire Intelligence era na verdade o número da mãe de Jacob Wohl.

No Twitter, o jovem negou haver promessas de pagamento a mulheres para acusarem Robert Mueller. “De repente, quando o Jack Burkman diz que há acusações credíveis contra Robert Mueller, os media dão uma volta à narrativa para dizer que foi oferecido dinheiro a ‘mulheres’. Quem são estas mulheres que dizem que lhes ofereceram dinheiro? Parece que elas nem existem!”, escreveu naquela rede social.

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