A Seat decidiu dar um número ao puzzle que é necessário completar para construir um novo automóvel e, mais do que isso, revelar as técnicas que podem ser utilizadas para montar com uma precisão milimétrica cada veículo que sai da linha de montagem.

O ‘pesadelo’ dos números começa logo na quantidade de empresas a que cada fabricante precisa de recorrer para garantir as peças que compõem cada viatura. A marca espanhola, por exemplo, diz que trabalha com mais de 90 fornecedores de 12 países da Europa, Ásia e Norte de África.

Uma vez tendo as peças, há que montá-las. Mas esse processo nada tem a ver com aquele truque de olhar para a imagem e tentar reproduzi-la encaixando diferentes peças. Na indústria automóvel, entra em acção uma divisão específica denominada departamento de Técnica de Medição na Seat, cuja missão é a de garantir “uma precisão de 1 décimo de milímetro – o equivalente à espessura de uma folha de papel” na montagem de… perto de 4.000 peças. Segundo o construtor de Martorell, este é o número de componentes que é preciso “encaixar na perfeição”.

Há diferentes técnicas para o fazer, desde a construção de moldes em tamanho real, passando pelo recurso a tecnologia de ponta, como é o caso da solução que combina a medição electrónico-táctil com a fotometria e com o scan laser para conseguir medir 200.000 pontos por segundo. O responsável da Técnica de Medição e Meisterbock da Seat, Pedro Vallejo, destaca a importância deste recurso: “Não só teremos muito mais informação, como seremos capazes de entender o comportamento de cada peça do veículo em menos tempo, e podemos ser, assim, muito mais efectivos na introdução de melhorias.” Ao que diz, a realidade virtual veio dar novo enquadramento a este trabalho, por abrir a possibilidade de “multiplicar de forma exponencial os pontos em análise”, o que permite ao fabricante automóvel agir (preventivamente), em vez de reagir.

Ainda de acordo com a Seat, para a montagem do grande puzzle que é um carro, não intervêm apenas os engenheiros e os especialistas do departamento de Técnica de Medição. Além dos fornecedores, são envolvidos neste processo profissionais de outras áreas da empresa, num total de 500 pessoas implicadas. Tudo para garantir que, não há folgas ou entradas de água, por exemplo. Ou que o encaixe do pára-brisas com os pilares dianteiros está bem feito, de modo a não afectar a aerodinâmica do modelo. Ou, ainda, que não há ruídos parasitas e que até o toque de cada botão resulta numa experiência agradável ao tacto.

Se quiser ficar com uma ideia de como se monta um puzzle que vai circular na estrada, não perca o vídeo: