Quando Bruno de Carvalho foi destituído em Assembleia Geral e Sousa Cintra passou à liderança interina da SAD, a primeira decisão que tomou foi prescindir de Sinisa Mihajlovic, técnico contratado uma semana e meia antes pelo elenco que estava de saída. Justificação para a rescisão, comunicado por email? O período experimental de 15 dias que existe na cláusula 11 do Contrato Coletivo entre a Liga e a Associação Nacional de Treinadores. No entanto, existiam mais jogadores assegurados pelos anteriores administradores da sociedade verde e branca, casos de Raphinha, Bruno Gaspar ou Emiliano Viviano, guarda-redes escolhido para fazer esquecer Rui Patrício em Alvalade. Também ele esteve perto de deixar o clube.

Quatro dias depois de abdicar do sérvio, Cintra apresentou José Peseiro, “o único treinador português com quem falou”. Como o Observador anunciou na altura, o líder da SAD fez uma viagem relâmpago a França por recomendação de uma das pessoas mais próximas com quem trabalhou nestes últimos meses no Sporting. Pensou-se que o “alvo” poderia ser Laszlo Bölöni, chegou ainda a falar-se de Laurent Blanc, mas esteve reunido com Paul Le Guen para acautelar um plano B caso o ribatejano não chegasse a acordo. Chegou, colocou mãos à obra e mostrou dúvidas em relação ao internacional italiano de 32 anos, na altura a lutar para regressar à forma (e peso) ideal. Foi nessa primeira semana que a hipótese de Viviano ser dispensado esteve em cima da mesa. Não aconteceu, apesar da chegada de mais um guarda-redes. Certo é que o número 1 continua fora das opções, sendo o único do plantel a par de Sturaro (que ninguém sabe ao certo quando chegará após lesão) ainda sem minutos.

Não apareceu ninguém que o quisesse. Se ele pudesse, também tinha saído. Agora está a melhorar, pode ser que ainda dê um grande contributo. Se calhar pensava que vinha passar férias. Estava gordo e não se dedicava. O treinador não gostou, tive de arranjar”, disse recentemente Cintra ao Record.

No limite, não se pode dizer que era suposto ser assim. Porque não era. Recuando à primeira jornada do Campeonato, quando os leões foram a Moreira de Cónegos defrontar o Moreirense, o transalpino até chegou a entrar na ficha de jogo inaugural como titular, mesmo depois de um erro clamoroso no particular em Alvalade com o Marselha, onde “ofereceu” um golo a Germain após um domínio de bola mal feito. No entanto, uma lesão na zona do pescoço durante o aquecimento acabou por colocar Salin no onze e Luís Maximiano no banco. Na partida seguinte, com o Marítimo, Viviano ainda não estaria a 100% e continuou de fora; na Luz, com o Benfica, a baliza continuou a ser do francês – e a partir daí o italiano ficou de fora por opção.

14 jogos oficiais depois, nem sinais do antigo internacional na ficha de jogo. Agora, com Renan, o novo titular da baliza verde e branca, impedido de defrontar o Estoril por estar emprestado, pensava-se que Viviano teria finalmente a sua oportunidade. Não teve. E nem sequer foi convocado, com Peseiro a chamar, além de Salin, Luís Maximiano e Diogo Sousa, dois miúdos que fazem parte do plantel Sub-23 do Sporting que participa na Liga Revelação. “Não pode jogar e não está convocado. Ainda não está pronto”, comentou Peseiro antes do encontro com o Loures, para a Taça de Portugal, quando se pensava que poderia marcar a estreia do jogador que já tinha perdido seis quilos desde a pré-temporada. Entretanto, o valor da contratação do antigo jogador da Sampdória foi confirmado no Relatório e Contas: dois milhões de euros.

É um jogador com trajeto e passado que todos sabemos que foi contratado para substituir o Rui Patrício. Quando entendermos que tem condições para jogar, joga. Agora teve vários problemas, ainda há uma semana foi um problema no joelho… Ele sabe quais são as expetativas que temos, qual é a responsabilidade e sabe que não veio para ser o número 2 ou 3, nós queremos que seja o número 1. Aqui não há cadeiras de titularidade para ninguém. Quando entender que está em condições de jogar e ele dar essa confiança vai poder jogar pelo Sporting”, disse Peseiro ao jornal A Bola a 13 de outubro.

Nascido em Florença, Viviano começou nas camadas jovens da Fiorentina e passou depois para o Brescia, sendo emprestado na primeira temporada como sénior ao Cesena. Depois de três anos e meio na Serie B, foi contratado em regime de co-propriedade pelo Inter num negócio a envolver 3,5 milhões de euros, estreando-se em 2009/10 no principal escalão pelo Bolonha, que então comprou os 50% do seu passe ao Brescia. Ainda integrou o plantel do Inter mas, sem jogos (teve uma lesão grave num ligamento do joelho pelo meio), foi de novo cedido por empréstimo, a Palermo (que ficaria também com metade do passe) e Fiorentina. Em 2013/14, tem a primeira aventura no estrangeiro ao serviço do Arsenal, por empréstimo com opção de compra, mas nunca fez parte das opções de Wenger e regressou ao Palermo antes de ser vendido à Sampdória.

Viviano jogou nos particulares de pré-época; depois, lesionou-se em Moreira de Cónegos e não mais foi chamado (Gualter Fatia/Getty Images)

Ao serviço da seleção italiana, esteve no Campeonato da Europa Sub-21 em 2007 na Holanda (onde a Itália defrontou e ganhou a Portugal nos penáltis, no jogo entre os dois melhores terceiros classificados dos grupos) e nos Jogos Olímpicos de Pequim, no ano seguinte. Casiraghi era então treinador de uma geração que incluía nomes como Rossi, De Ceglie, Nocerino, Marchisio, Candreva, Montolivo ou Giovinco. Estreia-se pela equipa A em 2010, quando era o número 2 de Buffon à frente de Sirigu, e somou ainda um total de seis internacionalizações pelo conjunto principal da squadra azzurra.