Ministério Público

Suspeito do homicídio de Luís Grilo vai continuar em prisão preventiva e não vai apresentar recurso

António Joaquim vai permanecer em prisão preventiva. O amante de Rosa Grilo foi ouvido pelo Ministério Público esta manhã e, segundo o advogado, "contribuiu para a descoberta da verdade".

António Joaquim está em prisão preventiva no estabelecimento prisional anexo à Polícia Judiciária, em Lisboa

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

António Joaquim, o alegado co-autor do homicídio de Luís Grilo, vai permanecer em prisão preventiva, apurou o Observador. O amante de Rosa Grilo foi ouvido pelo Ministério Público, esta manhã de sexta-feira, num interrogatório complementar, nas instalações da Polícia Judiciária.

A defesa tinha a expectativa de que essas novas declarações pudessem levar a procuradora titular do processo a atenuar as medidas de coação aplicadas há cerca de um mês, mas, no final da diligência, o Ministério Público decidiu não haver razões para fazer esse pedido à juíza de instrução. Ainda assim, confirmou o Observador, a defesa optou por não apresentar recurso para que a medida de coação seja reavaliada — como o fez Rosa Grilo, também ela em prisão preventiva.

Uma das informações que António Joaquim terá dado no interrogatório, pedido pelo próprio arguido, foi o local onde se encontrava no dia 15 de julho — o dia em que a investigação acredita ter sido aquele em que Luís Grilo morreu. Quando questionado no primeiro interrogatório sobre o que tinha feito nesse dia, o amante de Rosa Grilo, afirmou que não se lembrava. Na versão que Rosa Grilo apresentou no seu interrogatório, a viúva garantiu que o amante não esteve na sua casa “nem no domingo nem na segunda-feira”. “Até porque no domingo o António foi buscar os meninos dele, que ele está separado. Podem comprovar com a mulher e… não sei… com quem for possível”, assegurou a suspeita.

À saída da sede da PJ, e em declarações aos jornalistas, o advogado garantiu que o arguido “contribuiu para a descoberta da verdade”. Além de revelar onde esteve durante o fim de semana em que Luís Grilo terá sido morto, esclareceu “alguns aspetos que tinham ficado por esclarecer no anterior interrogatório” devido ao “cansaço e stress subjacentes”, explicou a defesa ao Observador, sem revelar que aspetos são esses.

Tanto a acusação como a defesa, de facto, estão numa perspetiva de descoberta da verdade para perceber o que realmente aconteceu”, disse o advogado.

Os dois suspeitos do homicídio do triatleta, Rosa Grilo e António Joaquim, estão em prisão preventiva, desde 29 de setembro — três dias depois de terem sido detidos por suspeitas de serem os autores do homicídio de Luís Grilo. No dia seguinte à morte do marido, Rosa deu conta do desaparecimento às autoridades, alegando que a vítima tinha saído para fazer um treino de bicicleta e não tinha regressado a casa. O corpo acabou por ser encontrado já no final de agosto, com sinais de grande violência, a mais de 130 quilómetros da aldeia onde o casal vivia, em Álcorrego, no concelho de Avis.

A PJ acabou por concluir que foi morto a tiro, em casa, pelos dois suspeitos e deixado depois no local onde foi encontrado. Rosa Grilo e o alegado co-autor do crime terão tido motivações de natureza financeira e sentimental. A investigação prossegue e a PJ, que tem fortes indícios de ter sido um crime premeditado, ainda está a apurar o móbil do crime. A tese de Rosa Grilo é diferente: segundo as declarações que prestou no primeiro interrogatório, Luís Grilo terá morrido às mãos de três homens — dois angolanos e um “branco” — que lhe invadiram a casa em busca de diamantes.

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