O Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, recorreu a um meme da série televisiva Game of Thrones para avisar o Irão de que está cada vez mais próximo das sanções económicas.

Confrontada com o post, a produtora de Game of Thrones, já reagiu e criticou fortemente o presidente por roubar direitos de autor, fazendo alusão ao conhecido slogan da série ”Winter is coming” (o Inverno está a chegar). A produtora acrescenta ainda que Donald Trump não tem a permissão para utilizar a imagem e ”preferia que a sua marca não fosse utilizada para fins políticos”, avança a revista Rolling Stone.

Já na conta oficial de Twitter, a HBO demonstra o seu desagrado, mas com sentido de humor: ”Como se diz uso indevido de marca registada em Dothraki?”, em referência a uma das línguas fictícias falada por algumas das personagens da série.

As reações dentro do elenco também já se fazem sentir. As atrizes Maisie Williams e Sophie Turner responderam ao tweet do Presidente, com poucas palavras: ”Não hoje”, escreveu uma e ”ew” (expressão de nojo), respetivamente.

O autor de Game of Thrones, George R.R. Martin, também não terá gostado da apropriação de Donald Trump. Como reação, publicou uma fotografia no Twitter, em que se podia ler: ” O medo corta mais fundo do que espadas, na terça-feira, dia 6, vote”, fazendo um apelo contra a abstenção nas eleições intercalares nos Estados Unidos.

Com o mote ”As sanções estão a chegar: 5 de novembro”, publicado esta sexta-feira na rede social Twitter, o post de Trump  surge no mesmo dia em que um dos seus principais sucessores divulgou uma campanha de ”pressão máxima” sobre o Irão como sendo um verdadeiro sucesso – mesmo antes das sanções dos EUA que visam o setor petrolífero do país e têm efeito a partir de segunda-feira.

Segundo avança o jornal norte-americano The Politico, numa conferência esta manhã com os jornalistas, o secretário de Estado Mike Pompeo e o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, afirmaram que o governo norte-americano pretende continuar a pressionar com sanções e outros esforços para privar o regime iraniano de acessos a fundos globais.

Os funcionários do Gabinete reconheceram que pelo menos oito “jurisdições” receberão isenções que permitirão, por enquanto, continuar a importar petróleo do Irão sem enfrentar penalizações dos EUA.

O tweet de Trump foi postado pouco depois das autoridades anunciarem que as sanções contra o Irão seriam restabelecidas na segunda-feira. As sanções foram levantadas pelo ex-presidente Barack Obama como parte do acordo nuclear do Irão em 2015.

Paris, Londres, Berlim e UE “lamentam vivamente” sanções

A Alemanha, a França, o Reino Unido e a União Europeia (UE) lamentaram esta sexta-feira “vivamente” a reimposição pelos Estados Unidos de sanções ao Irão, segundo um comunicado conjunto divulgado.

“Temos como objetivo proteger os atores económicos europeus que estão envolvidos em trocas comerciais legítimas com o Irão”, acrescenta o comunicado, assinado pela chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini, e pelos ministros dos Negócios Estrangeiros alemão, Heiko Mass, francês, Jean-Yves Le Drian, e britânico, Jeremy Hunt.

O Plano de Ação Global Comum (JCPOA, na sigla em inglês) – nome dado ao acordo assinado em 2015 com o Irão sobre o seu programa nuclear – “constitui um elemento fundamental da arquitetura mundial de não-proliferação nuclear e da diplomacia multilateral (…) Ele é essencial para a segurança da Europa, da região e do mundo inteiro”, lê-se no texto.

“Na nossa qualidade de signatários do JCPOA, nós comprometemo-nos a trabalhar, nomeadamente para preservar e manter circuitos financeiros operacionais com o Irão e garantir a continuação das exportações de petróleo e de gás iranianos. Sobre estas questões como sobre outras, o nosso trabalho prossegue [e] os esforços intensificaram-se durante as últimas semanas”, referem.

Seis meses depois de se terem retirado do acordo sobre o nuclear iraniano, os Estados Unidos confirmaram hoje que vão voltar a impor na segunda-feira a Teerão sanções mais duras, visando o petróleo e os bancos, mas persistem as dúvidas quanto a esta controversa campanha de “pressão máxima”.

Anúncio de Trump sobre migração considerado falso e racista

O novo anúncio de imigração do Governo de Trump, divulgado esta semana, foi fortemente criticado por democratas e, até alguns republicanos, por aparentemente ser racista. Além disso, foi considerado falso, noticia o jornal Washington Post esta sexta-feira.

O vídeo com a duração de 53 segundos, foi publicado pelo Presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, na rede social Twitter,  e foca-se no comportamento em tribunal de Luis Bracamontes, um imigrante que foi condenado por matar dois deputados xerifes na Califórnia, em 2014, e se vangloriou do ato durante o julgamento.

A parte do vídeo que está a ser alvo de acusações situa-se a partir do minuto 0:22, onde se pode ler:  ”Os democratas deixaram que ele entrasse no nosso país. Os democratas permitiram que ele ficasse”.  Mas ao que parece não é bem assim.

Bracamontes já teria sido deportado várias vezes antes de cometer o crime. Segundo informações avançadas pelo mesmo jornal, entrou pela última vez nos Estados Unidos enquanto George W. Bush era presidente, entre maio de 2001 e fevereiro de 2002. Até 2014, altura em que cometeu o crime sob o efeito de metanfetaminas, morava perto de Salt Lake City. O vídeo oculta também o facto de Bracamontes ter sido preso em 1998 por posse de droga em Phoenix, e posteriormente libertado pelo escritório do então xerife do condado de Maricopa, Joe Arpaio, “por razões desconhecidas”, refere o jornal The Sacramento Bee.

Depois de ser detido em 2014, Joe Arpaio admitiu que Bracamontes teria sido ”preso por uso de drogas” e o xerife confirmou também que Bracamontes terá sido ”deportado em duas ocasiões”.

Assim sendo, Bracamontes foi deportado sob ordem de governos republicanos, bem como democratas: em 1997 foi deportado durante a presidência de Bill Clinton – apenas pôde voltar ao país em 2001,  sendo que pouco depois terá sido novamente preso por posse de droga.

Arpaio é considerado bastante próximo de Trump, e tem sido bastante criticado por as suas políticas de migração serem bastante duras. Em 2017, foi condenado por ignorar a ordem de um juiz federal de parar de deter pessoas sob suspeita de serem imigrantes sem documentos. Mais tarde, acabou por ser perdoado por Donald Trump.

Bracamontes foi condenado à pena de morte no caso do assassinato.